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O protagonista da palestra “Envolvimento Parental na Escola” promovida no Colégio de Nossa Senhora do Alto, em Faro, em colaboração por aquela instituição e pelo Centro de Formação Ria Formosa, lamentou que muitos pais tenham “medo de dizer que não às crianças, com convicção e sem explicações”. “Os pais acham que têm de fazer uma democracia em diálogo e explicam todas as regras que querem implementar”, criticou, considerando que “as explicações devem ser a exceção e não a regra em relação à educação das crianças”. “Serei a última pessoa do mundo a dizer-vos para educarem os filhos ao estalo mas há o pressuposto de que os pais educam com bons exemplos e nunca com bons conselhos”, lembrou, sustentando que “os pais estão autorizados a exigir em funções dos bons exemplos que dão”. “Quando os pais empanturram as crianças com bons conselhos é porque lá sabem os maus exemplos que lhes dão nos outros dias”, complementou.

Considerando que “as crianças têm de ser geridas em tempo real”, com “gestão corrente” e não com “efeitos especiais”, Eduardo Sá defendeu que “as crianças precisam de autoridade o quanto baste e de autonomia o mais possível”. “A autoridade define-se com regras e as regras, quando não se cumprem, têm de ter uma coima qualquer que seja clara em tempo real para as crianças”, complementou, acrescentando que os pais “estão proibidos de castigar” porque “a autoridade é um exercício de bondade”, ao contrário do autoritarismo. “A autoridade deriva das pessoas que nos merecem todo o respeito pela sua bondade, sabedoria e sentido de justiça. Não é a todas as pessoas que toleramos a autoridade e alguns pais, professores e governantes não percebem isto”, considerou.

O psicólogo advertiu ainda para a importância do conhecimento da “história dos pais e avós”, um aspeto “incontornável no crescimento de todas as crianças”. “Se os nossos filhos souberem tudo aquilo que os nossos pais foram capazes de fazer para que eles tenham hoje aquilo que têm, então vão perceber que têm todo o orgulho de ter conquistado aquilo que já conquistaram mas que lhes falta muito para merecerem toda a admiração que, inevitavelmente, muitos desses avós merecem”, justificou.

Samuel Mendonça

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