Entre as sugestões do Conselho Pastoral da Diocese do Algarve (CPDA) para o próximo ano pastoral 2026/2027 é particularmente repetida a referência à formação nas três dimensões – litúrgica, profética e caritativa – “pilares que sustentam as comunidades paroquiais”.

A sugestão saiu da última assembleia plenária, realizada no passado dia 30 de maio, sob a presidência do bispo do Algarve, D. Manuel Neto Quintas, que teve lugar em Faro, no Seminário de São José.

No que se refere à primeira dimensão, considerando que “a maioria dos paroquianos não entende nem fórmulas, nem gestos na celebração”, aquele órgão consultivo destacou, num memorando enviado ao Folha do Domingo, a importância da “formação sobre a Eucaristia”.

O conselho considera mesmo que “seria importante desenvolver as «Missas Explicadas», como modo de formar as comunidades para a vivência eucarística”, ou introduzir a “Admonição Eucarística” em “vários momentos da celebração (ritos iniciais, liturgia da Palavra, apresentação dos dons)” e sugere ainda “formação sobre a adoração em preparação para o Lausperene”.

Aquele órgão refere, a propósito, que “a formação espiritual dos catequistas deve ser valorizada, não apenas como formação de conteúdos, mas como espaço e tempo de oração, retiro, adoração eucarística, partilha e renovação interior da missão do catequista”. “Devem ser promovidas iniciativas de Adoração Eucarística para crianças, adequadas às suas idades, ajudando-as a crescer numa relação simples e próxima com Jesus Eucaristia”, acrescenta.

O CPDA, que valorizou “os trabalhos desenvolvidos no que respeita à formação do Clero e à Pastoral Catequética”, reconhece “o bom trabalho e dinamismo da Pastoral Catequética na vida pastoral da Diocese e na aplicação do Programa Pastoral” e sugere que se possa “trabalhar com as crianças e os jovens para fomentar a centralidade da Eucaristia e da adoração, capacitando crianças e jovens com workshops”.

Os conselheiros acrescentaram a formação sobre “liturgia” – incluindo mesmo a edição de um “manual diocesano para formação dos catequizandos e acólitos” – e a formação sobre “oração”. Neste âmbito, “foi vincada a necessidade da criação de momentos de oração, por exemplo: Liturgia das Horas ou cada paróquia estipular um dia por mês para a Adoração Eucarística, até como complemento ao Lausperene que só se faz uma vez por ano”. “Seria um incentivo à comunidade rezar pelas vocações (não só sacerdotal ou vida religiosa…)”, acrescenta o memorando.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O documento refere ainda a promoção de “Jornadas de Espiritualidade para ajudar à oração pessoal” e sublinha a importância de se “valorizar os grupos de acólitos, incentivando a entrada de novos membros e oferecendo um adequado acompanhamento, formação e encontros, sobretudo nas paróquias onde este serviço está mais fragilizado”.

Na “dimensão profética” refere a formação sobre o “anúncio da Palavra”; e na “dimensão sociocaritativa” aponta a formação sobre “voluntariado e serviço dos mais necessitados”.

O CPDA considera que “o esforço da descentralização das formações para as regiões funcionou muito bem” e refere que, “como aconteceu nas jornadas de catequese e liturgia, o mesmo deve acontecer nos outros sectores”.

Ao nível da formação, o conselho sugere-a ainda para o serviço de acolhimento. “Não basta chamar as pessoas ao serviço, é necessária uma formação séria para este serviço, até pelo impacto que este serviço possa ter na comunidade e, sobretudo, para quem procura a comunidade paroquial. Até porque o acolhimento não se deve cingir a quem está à porta da igreja, mas, num olhar mais amplo, o bom acolhimento deve estar nos cartórios, serviços e grupos/setores paroquiais”, refere o memorando, estendendo o serviço de acolhimento ao “espaço digital com a colaboração de jovens” e valorizando “pequenas equipas que ajudem cada pessoa a sentir-se recebida, escutada e integrada na comunidade”.

O CPDA propôs uma “pastoral que desenvolva a dimensão vocacional no seu todo”, ou seja, uma “cultura vocacional em toda a Diocese” e que essa Pastoral Vocacional seja fomentada “em profunda relação com a Adoração e Culto Eucarístico” e “junto dos jovens para conseguirem projetar a sua vida”. “Sugere-se que cada paróquia possa criar uma Equipa Vocacional, destinada a promover momentos de oração, encontro e discernimento sobre as diferentes vocações na Igreja”, acrescentou-se.

A insistência na “implementação e efetivo funcionamento dos Conselhos Pastorais paroquiais”, que não sejam constituídos apenas por membros convidados pelos párocos, mas também eleitos entre os próprios leigos”, foi outro dos pontos mais vincados.

“A revitalização da vida paroquial e, por consequência, de uma maior envolvência quer a nível paroquial, quer a nível diocesano, passa pela ação deste órgão de pastoral”, recorda-se, considerando que “quando um membro da paróquia é convidado a integrar um Conselho Pastoral, é (ou deve ser) convidado a assumir um serviço e ao mesmo tempo dinamizá-lo, apoiando assim o Pároco, Presidente por inerência desse órgão” e que o presidente deve “dar essa liberdade de ação e dinamização a quem convida, mas também deixar-se ser apoiado, aceitando com apreço, de modo positivo e construtivo este espaço sinodal paroquial”.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Inclusivamente o bispo do Algarve “reforçou a importância do Conselho Pastoral para um caminho dinâmico e conjunto da Diocese” e, também ao nível das Regiões Pastorais, o CPDA considerou “importante ativar o Conselho Pastoral Regional, para melhorar a comunicação e articulação pastoral entre as paróquias da mesma Região”.

Ao nível da comunicação e atendendo que “muita da informação que vem da diocese ou da região pastoral é endereçada para o pároco, que por vezes tem dificuldade quer na divulgação, quer sobretudo na motivação à participação ou envolvimento no que é comunicado”, sugeriu-se a “nomeação de um responsável paroquial de comunicação ou criação de uma equipa” para “gerir, divulgar e atualizar a informação”.

Considera-se ser “importante que os Secretariados e Sectores Diocesanos trabalhem interligados, de maneira a dar conhecimento do que cada um programa e das áreas de intervenção que cada um tem, para que possa haver mais sintonia e cooperação entre os mesmos”. “Os vários Secretariados e Sectores da Pastoral Diocesana e Paroquial devem trabalhar em total correlação e não isoladamente”, acrescenta-se, pedindo ainda “um esforço para conciliar as agendas paroquiais com a agenda diocesana”.

Como “como momento forte de oração pelo Triénio Pastoral percorrido, de encontro com o novo Bispo e de ação de graças pelo episcopado de D. Manuel Quintas”, o CPDA propõe a realização de uma Peregrinação a Fátima “que seja precedida de um trabalho de formação para todos, principalmente para crianças e jovens sobre a mensagem de Fátima centrada na Eucaristia e na oração”.

Os conselheiros dedicaram-se na parte da manhã a avaliar o ano pastoral que agora termina e na parte da tarde apresentaram sugestões para o programa do próximo ano, tendo presente a implementação das “Conversão das Relações” (parte II) e “Conversão das Relações” (parte III) do documento final do Sínodo dos Bispos sobre a sinodalidade, decorrido entre 2021 e 2024 e cuja fase de implementação decorre até 2028.

Programa 2026/2027: Conselho Pastoral da Diocese do Algarve propõe que se insista nos aspetos por concretizar