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No princípio do mês fomos surpreendidos por dois casos de violência entre jovens, incidentes que num caso o facebook divulgou e amplificou, tendo o outro surgido dias depois e à boleia do primeiro encontrou também grande eco na comunicação social. Foram duas situações de grande violência, de uma violência brutal e desproporcionada aos pequenos conflitos e rivalidades que as originaram. Num caso duas raparigas agrediram outra à bofetada e aos pontapés inclusive na cabeça, com o incentivo de rapazes que filmavam e no outro caso, por causa de um telemóvel, uma rapariga esfaqueou outra com um xisato.

Logo pensei e não me enganei, que os jovens protagonistas seriam provenientes de famílias com alguns problemas e de facto assim se veio a confirmar. Num dos casos, a jovem que agrediu a colega foi educada no seio de uma família monoparental, sem mãe, que parece já não ver há muitos anos, vivendo com o pai e com a avó paterna. Estes casos de violência juvenil e até mesmo de violência adolescente, são cada vez mais frequentes e resultam do stresse e da solidão em que vivem estes adolescentes. A solidão e as frustrações prematuras vividas já na infância e que se prolongam no tempo, predispõem os adolescentes e os jovens a comportamentos agressivos. Muitos adolescentes de hoje enfrentam sozinhos diversas tensões e frustrações diante das quais ficam indefesos, sem o amparo e a proteção orientadora dos pais. É assim que surge a rebeldia agressiva, própria das pessoas inseguras, a qual, por vezes, pode conduzir a condutas violentas.

O aumento do stress infantil-juvenil é consequência direta e imeadita de se viver num lar destruído ou de se pertencer a uma família onde não existe vida afetiva, onde na verdade, muitas vezes não existe sequer vida familiar. Hoje em dia, os adolescentes e os jovens transportam consigo os traumas das roturas familiares e muitas carências afetivas, pois muitos progenitores, apesar de proporcionarem aos filhos tudo aquilo que eles lhes pedem no campo material, não lhes dispensam tempo e atenções, carinhos e efetos, valores morais e apoio emocional. Os adolescentes, para construírem a personalidade que está a desabrochar, têm necessidade de modelos com os quais se possam identificar, mas muitas vezes não os encontram na família.

Além disso, muitos adolescentes, que receberam na infância uma educação permissiva, habituando-se a fazer o que lhes apetece, quando vão para a escola ficam revoltados por terem de adoptar métodos de trabalho e estudo, regras de convivência social, boa educação e disciplina.

Estes fenómenos de violência juvenil, exigem que se lhes preste a devida atenção, tornando-se necessário estudar, caso a caso, as suas causas pessoais, familiares e ambientais, e adoptar medidas preventivas, pois além da vida individual de cada jovem está também em causa o futuro da vida social. Isto implica ajudar os pais e outros educadores, a educar as crianças e os adolescentes nos valores da vida, da paz, do respeito, da tolerância e da solidariedade. Parece-me que nessa tarefa a catequese da infância e da adolescência deverá assumir uma elevada quota parte dos esforços. É preciso tomar consciência dos problemas e adotar uma estratégia. Os valores cristãos são na verdade um grande meio de educação para a paz.

Luís Galante
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