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Estamos em plena semana da unidade! Melhor dizendo, estamos a viver, entre os dias 18 e 25 de Janeiro, a semana de oração pela unidade dos cristãos. No próximo 21 de Janeiro, pelas 21 horas, estamos convocados para nos reunirmos em oração, na Sé Catedral de Faro, com os cristãos de outras confissões, que tal como nós vivem no Algarve e nesta Região partilham connosco a fé em Jesus Cristo.

Todos os anos, os cristãos de diferentes tradições de uma cidade ou região, preparam o guião desta celebração, que depois é espalhado por toda a parte pelo Conselho Mundial das Igrejas e pelo Pontificio Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos. Este ano esta terefa coube aos cristãos de Jerusalém, o que por si só tem um significado e um valor acrescidos: Jerusalém é a cidade onde tudo começou, a cidade da primeira Páscoa e do Pentecostes, a cidade onde os Apóstolos realizaram os seus primeiros Actos de testemunho do Ressuscitado, por isso não é de estranhar que os cristãos de Jerusalém tenham escolhido uma passagem do Livro dos Actos dos Apóstolos como lema inspirador desta semana: «unidos no ensinamento dos Apóstolos, na comunhão fraterna, na fracção do pão e nas orações» Act. 2,42. A unidade dos cristãos passa muito por isto, por permanecermos unidos aos Apóstolos e aos seus ensinamentos, pela comunhão fraterna, pela oração comum e pela fracção do pão, ou seja pela Eucarístia, que infelizmente não podemos ainda celebrar juntos, pois a unidade dos cristãos passa também pela diversidade, pelo respeito das diversas tradições, e mais do que respeito, pela veneração mutua das diferentes tradições.

Ainda num recente documento de 15 de Janeiro, em que é criado o “Ordinariato Pessoal de Nossa Senhora de Walsingham”, o Papa Bento XVI afirma que a novel instituição se destina “por um lado, assegurar a salvaguarda das venerandas tradições litúrgicas, espirituais e pastorais anglicanas, no interior da Igreja Católica; por outro lado, integrar completamente estes novos grupos e os respectivos pastores na Igreja Católica”. Aliás o novo “Ordinariato Pessoal” tem o nome de Nossa Senhora de Walsingham, numa clara homenagem ao mais importante santuário mariano inglês, comummente partilhado por católicos e anglicanos. Mas o que aqui importa salientar é a referência às venerandas tradições Anglicanas e como mutatis mutandis podemos evocar as venerandas tradições Ortodoxas, Evangélicas, Reformadas, Luteranas, Metodistas, Presbiterianas, Baptistas, Adventistas, Calvinistas, Pentecostais, e tantas outras já para não falar de muitas e venerandas tradições dentro da própria Igreja Católica, a começar logo pelo famoso Rito Ambrosiano, em Milão ou pelos inumeráveis Ritos Orientais: Bizantino, Copta, Etíope, Maronita, Sírio, Sírio-Malankar, Arménio, Caldeu, Sírio-Malabar, Greco-Melquita, Ucraniano, Romeno, Ruteno, Eslovaco, Hungaro, Italo-Albanês, Búlgaro, Grego, Macedonio, Russo, Albanês e Bielo-Russo. Estes Ritos que existem dentro da Igreja Católica, não representam apenas tradições litúrgicas diferentes do Rito Latino, mas implicam também uma diferente disciplina que se traduz na existência do Código de Cânones das Igrejas Orientais, paralelo ao Código de Direito Canónico para a Igreja Latina. Como vemos, dentro da Igreja cabem muitas e diversas tradições liturgicas, pastorais e canónicas e outras mais podem vir a juntar-se no futuro. Esta diversidade, é querida por Deus e manifesta-se claramente na pluralidade de línguas da manhã do Pentecostes, em que «todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem», de tal modo que «a multidão ficou deveras maravilhada, e diziam uns com os outros: “Estes homens que estão a falar não são todos da Galileia? Como é que cada um de nós os ouve na nossa própria língua?”» (Act 2, 4. 7,8). As línguas, os ritos, as tradições e até as diferentes confissões cristãs, representam a diversidade e a pluralidade na qual se realiza a unidade da Igreja de Jesus Cristo, de que todos somos discípulos e seguidores.

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