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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

A Cáritas Diocesana do Algarve promoveu no passado sábado um encontro com os grupos paroquiais daquela instituição da Igreja Católica.

No Algarve existem atualmente seis Cáritas paroquiais nas paróquias de Boliqueime, Cachopo, matriz de Portimão, Nossa Senhora do Amparo de Portimão, São Bartolomeu de Messines e São Brás de Alportel e cinco destas estiveram presentes na iniciativa que teve lugar precisamente em São Brás de Alportel, numa sala anexa à igreja paroquial.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O encontro teve início com uma reflexão do padre Rui Barros Guerreiro sobre a parábola bíblica do bom samaritano. Destacando que aquele benfeitor foi o único que “teve a atitude de envolver-se para ajudar e «restituir a vida» àquele homem”, espancado por assaltantes, “sem interrogar qual era a sua religião ou etnia”, o sacerdote apelou à importância de seguir este exemplo. “Tenho de fazer-me próximo daquele homem que está em necessidade e vou fazer isso a partir da relação interior que tenho com Deus”, observou.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Antes do almoço, os participantes visitaram ainda as instalações da Cáritas paroquial de São Brás de Alportel e a tarde de trabalho teve um teor mais prático. Primeiramente, os representantes das Cáritas paroquiais partilharam o trabalho realizado por cada uma e foi ainda dado conta da intenção de constituição do Conselho Consultivo da Cáritas Diocesana pelo presidente da instituição, Carlos Oliveira.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O derradeiro momento da jornada de trabalho procurou ajudar aqueles agentes da pastoral sociocaritativa a saber fazer um atendimento. “Temos de ter consciência como é que deve ser feito um atendimento social para que as pessoas também possam crescer, mudando a sua postura de necessitado de forma a que não seja uma ajuda permanente sem que a pessoa vá modificando o seu modo de vida”, explicou Carlos Oliveira ao Folha do Domingo.

A técnica de ação social da Cáritas algarvia, que apresentou aquela formação, disse ao Folha do Domingo que, “às vezes, torna-se difícil” perceber “as reais necessidades das pessoas”. “Temos um instrumento à nossa disposição que é o atendimento social, pelo qual tentamos documentar-nos ao máximo”, afirmou Ana Sofia Pereira. “É importante ter uma ficha de atendimento social e tentar, na medida do possível, pedir às pessoas os comprovativos das receitas e das despesas das pessoas, por forma a nos tentarmos salvaguardar e sermos justos com as suas reais necessidades”, sustentou.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Admitindo haver pessoas que ficam sujeitas a uma “situação pontual” de apoio, aquela técnica considerou que “o grande desafio” de todo o trabalho social é quebrar o “ciclo de pedidos de ajuda” que, nalgumas famílias, teima em passar de geração em geração. “Se os meus pais já eram ajudados porque é que eu não hei de ser?”, acrescentou para ilustrar o pensamento de alguns beneficiários que, num ou noutro caso, assume contornos mais reivindicativos na reclamação de que a Igreja tem “obrigação de ajudar”.

“Nós é que temos obrigações, eles não têm deveres nenhuns. E isso também tem que mudar. Se lhes pedes algum comprovativo, nem que seja o cartão de cidadão de todos os elementos do agregado familiar, não nos querem dar. Por pedirmos a documentação às pessoas, não estamos a desconfiar delas. O nosso dinheiro é o dinheiro da população e podem exigir-nos que demos conta de quem é que ajudamos”, concluiu Ana Sofia Pereira.

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