A Federação Solicitude veio ao Algarve no passado dia 21 de maio «piscar o olho» às Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) canónicas, Centros Sociais Paroquiais e Santas Casas da Misericórdia no encontro daquelas organizações que decorreu na Casa de Retiros de São Lourenço do Palmeiral.

A apresentação da federação – nascida em 2015, mas constituída em 2017 no âmbito do Departamento da Pastoral Sócio-Caritativa do Patriarcado de Lisboa e que já agrega 130 instituições, inclusivamente de outras dioceses – apelou à “união”. “Nós não somos só um monte de pessoas a trabalhar lado-a-lado, cada uma na sua. Somos uma equipa. Somos um corpo que se move em conjunto, na mesma direção, com o mesmo propósito a puxar por nós”, afirmou-se. 

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O presidente da Federação Solicitude, que interveio sobre o tema “A Solicitude Social da Igreja no Patriarcado de Lisboa”, acrescentou que, “juntas, estas instituições” “têm um impacto muito maior”. “Podemos fazer caminho em conjunto”, desejou José António Parente, não descartando também a possibilidade de se criar no Algarve uma organização semelhante. “Podemos partilhar convosco aquilo que quiserem, ajudar-vos também a constituírem-se”, garantiu, acrescentando que aquela organização pode ser “uma federação de várias outras associações ou de outras uniões”.

Aquele responsável, que é também o diretor do Centro Social Paroquial de São João das Lampas,  presidente do Centro Social Paroquial de Mafra e membro do Departamento da Pastoral Sociocaritativa do Patriarcado de Lisboa, explicou o que levou à fundação daquela federação. “Nasceu para responder a esta inquietação de que, por vezes, somos levados, praticamente obrigados, a levar ao nosso serviço práticas e teorias que ferem os nossos princípios, os princípios do Evangelho e da Doutrina Social da Igreja”, referiu, acrescentando: “Temos que perceber que falamos de pessoas e não de números de utentes, nem de situações abstratas que depois têm que ser aplicadas e seguidas conforme uma checklist”. 

“Nós defendemos com unhas e dentes a autonomia dos nossos associados. Nós ajudamos a reforçar o impacto que eles têm na comunidade. Nós promovemos ativamente a solidariedade e a entreajuda e, claro, investimos sem parar na formação”, referiu o vídeo que apresentou.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O presidente da Federação Solicitude realçou, por isso, que a “maior riqueza” do trabalho conjunto das instituições federadas tem sido a “redescoberta” da sua identidade “enraizada nos valores do Evangelho”. “Ao ganharmos esta afeição pela nossa identidade, somos capazes de não estar presos”, sustentou, acrescentando que a identidade é sustentada pelos “valores”. “São eles que guiam cada atitude, cada decisão, cada comportamento que temos aqui dentro. E a nossa cultura, o nosso jeito de ser, assenta em quatro pilares que são absolutamente essenciais: solicitude, cuidado, diligência e zelo”, complementou o vídeo apresentado.

Na apresentação do plano estratégico para os próximos anos, explicou-se que “a Federação quer ser uma ponte, um parceiro de diálogo com o Estado, aplicando os princípios da Doutrina Social da Igreja”. “Para que se perceba, é no fundo a aplicação dos valores cristãos aos desafios da sociedade na vida pública. E estes são os valores que fazem a ponte entre as ideias e a prática do dia-a-dia”, acrescentou-se, explicando que “a Federação vai pôr tudo isto em prática” através de “grandes eixos estratégicos” que passam por “aprofundar a identidade cristã”, “capacitar com apoio à gestão”, “fortalecer as ligações com a rede de proximidade” e “projetar-se para fora com a representação e a comunicação”.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O plano referiu a intenção de “criar momentos para que as instituições partilhem o que estão a fazer bem e até um congresso de dois em dois anos” e prometeu “uma gestão que põe as pessoas e o propósito em primeiro lugar”, tendo como como conceito “o amor como critério de gestão” para “tomar decisões não só com base em números, mas no bem do outro, no bem comum”.

A apresentação referiu ainda a intenção de “criar um Fundo Diocesano de Apoio”. “É um mecanismo de solidariedade para que, quando uma instituição estiver a passar por dificuldades, as outras ajudem”, explicou José António Parente, acrescentando que “o apoio vai muito para além do financeiro” e poderá passara por “ajuda jurídica, apoio na contabilidade, um gabinete de crise para emergências e até ajuda a encontrar financiamentos”. Aquele responsável referiu, que para isso, cada federado pagará uma quota anual, “de acordo com os rendimentos”, entre 200 e os 600 euros.