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A Central nuclear de Fukushima ficou gravemente afetada pelo terremoto de grau 9 na escala de Richter, seguido de um tsunami, que ocorreu no Japão em 11 de Março passado. O escoamento de material radioativo no mar e na atmosfera provocou mesmo a evacuação das áreas mais próximas daquela Central e os problemas ainda não terminaram nem se vislumbra solução para os mesmos. Estes infaustos acontecimentos abalaram fortemente a confiança das populações na segurança da energia nuclear. Isso mesmo foi reconhecido recentemente pelo responsável máximo da Agência Internacional de Energia Atômica da ONU, que o declarou expressamente durante a abertura da reunião de especialistas em segurança nuclear que teve lugar em Viena de Áustria, e a verdade é que após o acidente de Fukushima, alguns países decidiram fechar as suas centrais nucleares, como é o caso da Alemanha, cujo Governo já resolveu desligar todos seus reatores até 2022 e a Itália, que em referendo votou contra os planos do Governo de Silvio Berlusconi de retomar a produção de energia nuclear no país.

O caso de Fukushima, mais do que o de Chernobyl, há 25 anos na antiga União Soviética evidencia as fragilidades e a insegurança causadas pelas centrais nucleares. È que se no caso de Chernobyl, os defensores da energia nuclear ainda poderiam alegar, que se tratou de um acidente causado pela falta de manutenção, a verdade é que agora, ficou claro, que apesar de todas as medidas de segurança que eram observadas em Fukushima, a força descontrolada da natureza, provocada pela ocorrência de um sismo de elevada magnitude seguido de um tsunami, tornou vulnerável uma Central nuclear e a região envolvente, ao ponto de as populações terem de ser evacuadas e os materiais radioativos poluírem o mar e a atmosfera, sem que ninguém possa fazer o que quer que seja para controlar a situação e evitar o alastrar da poluição radioativa, pois mais de três meses depois do terremoto e do tsunami, a Central nuclear de Fukushima continua ainda a despejar material radioativo, com gravíssimas consequências para a vida e a saúde humana, para a natureza, para a vida animal, para as pescas e para a produção agrícola entre outras.

Desta vez, a tragédia de Fukushima, pelo menos, já teve efeitos positivos: A Alemanha vai abandonar a energia nuclear até 2022 e o povo italiano não autorizou o seu governo a retomar a produção de energia nuclear, enquanto alguns países exigem que as regras de segurança da Agência Internacional de Energia Atômica da ONU não sejam meramente indicativas para os governos, mas que sejam obrigatórias, com a força de leis internacionais.

Em todo o caso, este passo não parece suficiente. O que é necessário é que todos os países assumam de uma vez por todas que a produção de energia atômica, mesmo para fins pacíficos, é perigosa, não é segura, por mais medidas de segurança que se tomem, pois há fatores que o homem não controla como é manifestamente o caso da natureza, sendo urgente que se procurem energias alternativas. Vão claramente nesse sentido recentes pronunciamentos do Papa Bento XVI que declarou ser necessário que os governos apoiem a procura e a produção "de energias limpas que salvaguardem o patrimônio da criação e não constituam perigo para o homem".

Energias limpas, não poluentes, não radioativas, que respeitem a natureza, a vida humana e a vida animal é o que verdadeiramente necessitamos. Que a tragédia de Fukushima tenha servido de alerta: Energia nuclear, definitivamente não!

Luís Galante
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