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Escutar e Viver a Palavra – XVI

1 – A chamada anterior que foi feita, a propósito de a Bíblia ser um património comum a judeus e a cristãos, abre-nos o horizonte sobre o lugar que a Escritura ocupa em todas as confissões cristãs, porque ela não diz respeito apenas aos católicos. Aqui vem ao de cima o problema do Ecumenismo e do lugar dos livros sagrados no movimento ecuménico.

É verdade que existem algumas diferenças entre católicos e ortodoxos, e a anglicanos e protestantes, no que concerne aos livros da Bíblia denominados deutero-canónicos.

Mas, se o diálogo ecuménico nos conduzir a uma busca sincera da unidade que Jesus pediu para a sua Igreja (Cf.Jo.17,21), também aprenderemos a ler e a rezar juntos a Palavra de Deus, sabendo, de antemão, que «a escuta comum das Escrituras impele ao diálogo da caridade e faz crescer o da verdade». Aliás, o Vaticano segundo já dissera, no decreto Unitatis redintegratio: «A Sagrada Escritura é um exímio instrumento da poderosa mão de Deus para a consecução daquela unidade que o Salvador oferece a toda a humanidade» (UR21). A Escritura é a Palavra que Deus dirige, hoje, a toda a Igreja e a cada pessoa, mesmo que tenham «credos» diferentes entre elas. O importante da compreensão das Escrituras é que elas se tornem vida para todos.

Em função do que fica dito, parece dever ter-se em conta o modo como os santos vieram e falaram da Palavra de Deus. Eles foram as pessoas que melhor se deixaram «plasmar» pela Palavra através da sua escuta, leitura e meditação assídua. Por isso, devemos atribuir-lhes mérito no modo como interpretaram a Palavra de Deus na prática das suas vidas.

2 – «A santidade relacionada com a Palavra de Deus inscreve-se, de certo modo, na tradição profética, na qual a Palavra se serve da própria vida do profeta. Neste sentido, a santidade da Igreja representa uma hermenêutica da Escritura da qual ninguém pode prescindir. O Espírito Santo que inspirou os autores sagrados é o mesmo que anima os Santos a darem a vida pelo Evangelho. Entrar na sua escola constitui um caminho seguro para efectuar uma hermenêutica viva e eficaz da Palavra de Deus» (Verbum Domini, 49).

Lembremos os nomes de alguns santos que se distinguiram pelo seu amor às Escrituras: Santo Antão, São Basílio, São Bento, São Jerónimo, São Francisco de Assis, Santa Clara de Assis, São Domingos de Gusmão, Santa Teresa de Ávila, Santa Teresa do Menino Jesus, Santo Inácio de Loyola, São João Bosco, São João Maria Vianney, São Pio de Pietralcina, São José Maria Escrivã, Santa Teresa Benedita da Cruz (origem judaica), Beata Teresa de Calcutá, Beato Luís Stepinac, e tantos outros mesmo de outras confissões cristãs. Todos estes que foram referidos, de um modo ou outro, viveram a Palavra de Deus, procurando lê-la, meditá-la e anunciá-la. Fizeram dela uma norma de vida, de acordo com as exigências do Espírito. São um bom exemplo de como havemos de estudar e entender a Palavra de Deus para a podermos viver.

D. Manuel Madureira Dias,
*bispo emérito do Algarve

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