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Festa Grande da Mãe Soberana evidenciou exemplo de Maria como instrumento da misericórdia de Deus

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Foto © Samuel Mendonça

A Festa Grande de Nossa Senhora da Piedade, popularmente evocada como Mãe Soberana, deixou no domingo um apelo a cada uma das pessoas que compareceram em Loulé para que sejam instrumento da misericórdia de Deus como foi Maria.

Tanto na missa como na pregação feita à chegada ao Santuário, o padre António de Freitas, pregador deste ano, exortou os milhares de pessoas presentes a anunciarem com a sua vida e com os seus gestos que “Deus é amor e misericórdia”.

O sacerdote, antigo pároco de Loulé, começou por evidenciar a importância de se participar naquela festa. “Ao acolhermos a imagem de Nossa Senhora da Piedade devemos perceber que nesta imagem vem também, por Maria Santíssima, a proclamação do amor e da misericórdia de Jesus. Não é só a Mãe do céu que desce até nós. Com ela, e por meio dela, vem a alegre notícia da misericórdia de Deus que é dom e não é mérito nosso, não o alcançamos por nossa capacidade. Deus a todos quer oferecer esse dom de misericórdia”, afirmou o padre António de Freitas na homilia que fez a pedido do bispo do Algarve, que presidiu à eucaristia.

O pregador, que até ao último ano pastoral de 2014/2015 foi pároco de Loulé, pediu à multidão presente que o seu coração “não fique só numa festa exterior”. “Que possa ecoar esta alegria, este alegre anúncio, ao longo da nossa vida, da misericórdia, do amor e da ternura de Deus que se espelha, em primeiro lugar, em Jesus Cristo encarnado, morto e ressuscitado, mas que se espelha também, de uma forma muito bela, na maternidade e figura feminina de Maria Santíssima”, pediu, aludindo à importância de se abrir o coração à misericórdia de Deus, lembrando que, para Deus ninguém, está perdido.

O padre António de Freitas advertiu, contudo, que não se pode apenas “querer a misericórdia de Deus e ficar por aí”. “Devemos partir, como Maria, ao encontro dos outros, como ela partiu ao encontro de Isabel. Devemos partir hoje daqui, levando misericórdia e amor aos outros. A nossa vida de cristãos, de fé, de crentes, não pode ser apenas um pedir para nós, todos os bens de Deus sem desejarmos abrir o coração para partilhar tudo isso com os outros. Não queiramos viver só para nós a alegria que Deus nos dá por nos amar, a alegria dos nos sentirmos salvos por Jesus, a beleza de sermos amados e protegidos por Maria. Levemos isso aos outros”, pediu.

O sacerdote apelou a que cada um possa “dar e oferecer, constantemente, aos outros, sinais, gestos, palavras e olhares de misericórdia, de ternura, de compaixão e de amor”. “Tal como Maria, cada um de nós é chamado a praticar e a viver esta misericórdia. Que o nosso coração e a nossa vida seja esta «Porta Santa» onde os outros, ao chegar, se sintam amados, perdoados, queridos e desejados”, exortou, lembrando que “aquilo que a Mãe do céu mais deseja é que os seus filhos se amem e se queiram bem”. “Estamos a ser estes filhos? Estamos a honrar a Mãe Santíssima da Piedade, amando-nos e querendo-nos bem ou será que, às vezes, pela nossa vida não estaremos a devolver-nos uns aos outros «mortos» à Mãe, em vez de ressuscitados porque amados e perdoados?”, interrogou.

Também o bispo do Algarve, que a todos saudou e, de um modo particular, àqueles que peregrinaram a pé, destacou Maria como “Mãe de Misericórdia”. “Ela é aquela que melhor nos pode ajudar a ser misericordiosos como o Pai, tal como Jesus, o seu filho, no-lo pediu”, afirmou.

D. Manuel Quintas, que manifestou a sua alegria pela recuperação do padre Henrique Varela, pároco de Loulé, considerando-a “uma bênção de Nossa Senhora da Piedade”, anunciou o reconhecimento formal como Santuário do conjunto composto pela antiga ermida e pela igreja. “Depois de algum tempo de reflexão com os nossos padres, decidimos que a partir deste dia, seja a ermida, seja a igreja de Nossa Senhora da Piedade, passem a chamar-se Santuário como referência, não apenas para a cidade e concelho de Loulé, mas para toda a nossa Igreja diocesana. Por isso, a partir deste dia diremos com propriedade Santuário de Nossa Senhora da Piedade e Mãe soberana. Já era assim que dizíamos, portanto não tem nada de novo. Viemos apenas confirmar aquilo que já era, de certa maneira, prática comum e habitual na nossa maneira de celebrar Nossa Senhora da Piedade”, afirmou.

No final da eucaristia, o prelado confiou à bênção e proteção de Nossa Senhora as crianças, jovens, famílias, idosos, doentes, governantes, trabalhadores, os que procuram emprego, emigrantes e refugiados, presbíteros, diáconos, consagrados, terras, casas e escolas, creches e infantários, industrias, comércio, grupos desportivos e culturais, bombeiros e centros de saúde, centros da terceira idade, misericórdias, confrarias, irmandades, movimentos e consagrou a Diocese do Algarve à Mãe Soberana.

Após a eucaristia, junto ao monumento a Duarte Pacheco, D. Manuel Quintas presidiu à procissão, participada por outros sacerdotes que também concelebraram momentos antes.

Impondo-se como a maior manifestação de fé a sul de Fátima, que é simultaneamente a mais significativa expressão de devoção mariana algarvia, a Festa Grande a Nossa Senhora da Piedade voltou a atrair a Loulé uma multidão que congestionou por completo a circulação na cidade, oriundas não só de todos os pontos do Algarve, como também de diversas regiões do país e até emigrantes.

Ao esforço dos homens oito homens, vestidos de calças e opas brancas, que transportam a imagem de Virgem Maria com Jesus nos braços, aliou-se a força espiritual dos muitos milhares de fiéis que, em vivas inflamadas a Nossa Senhora da Piedade, acenando lenços ou em passo vivo e na cadência musicada dos homens da Banda Filarmónica Artistas de Minerva, «empurraram», calçada acima no calor da fé, o pesado andor da padroeira.

À chegada ao Santuário, junto à ermida, o padre António de Freitas fez a pregação de encerramento e, diante da imagem da Mãe Soberana, agradeceu a sua intercessão maternal e as suas bênçãos. Citando António Aleixo lembrou que “naquele colo não só está Jesus, mas está a alma do povo de Loulé”. O pregador repetiu ainda o apelo feito na eucaristia aos presentes para que sejam “testemunhas da misericórdia de Deus”. “Não podemos vir aqui pedir perdão ao Senhor, estando fechados a perdoar os outros”, advertiu, exortando os presentes a rezar pelos outros”.

Seguiu-se o regresso, em marcha, de todos com a banda até ao centro da cidade e as festividades de Nossa Senhora da Piedade, que constituem uma tradição com provável origem em 1553, data oficial da edificação da capela que lhe é dedicada, terminaram à noite com um espetáculo de fogo-de-artifício junto àquela capela.

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