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Foram pelo menos 13 os jovens do Algarve que participaram na ‘Missão País’ deste ano

Foram pelo menos 13 os jovens algarvios (ou residentes no Algarve) que participaram na edição deste ano do projeto ‘Missão País’.

Trata-se de um projeto católico criado em 2003 a partir do Movimento Apostólico de Schoenstatt (embora hoje seja independente) que organiza e desenvolve missões universitárias a partir de várias faculdades de norte a sul de Portugal. São semanas de apostolado e de voluntariado social que decorrem durante três anos consecutivos no período de interrupção de aulas entre o primeiro e o segundo semestres, em que o primeiro ano consiste no “acolhimento”, o segundo na “transformação” e o terceiro no “envio”.

Os 13 universitários contactados por Folha do Domingo, sete dos quais repetentes na experiência, são unânimes em considerar que ela marcará a sua caminhada cristã e perentórios em assegurar querer repeti-la.

Vitória Gambôa Pais, de 22 anos, estudante no terceiro ano de Engenharia Agronómica no Instituto Superior de Agronomia, já realizou cinco missões destas. Este ano esteve, de 3 a 10 de fevereiro, com mais 59 estudantes a participar na que a sua academia levou a cabo em Aljustrel, no Alentejo, tendo integrado a comunidade que visitava o lar de idosos.

Natural das Caldas da Rainha, mas residente em Santa Bárbara de Nexe há quase 20 anos, a universitária frequentou a catequese naquela paróquia até ao terceiro ano, altura em que foi batizada, mas desistiu pouco tempo depois instigada pelo afastamento familiar da Igreja.

Ouviu falar da ‘Missão País’ no primeiro ano da universidade e decidiu inscrever-se com uma colega evangélica porque já tinha participado noutros projetos de voluntariado, mas sem perceber que se tratava de um de cariz católico. “Foi giro a forma como Deus traçou este plano para mim”, afirma, lembrando ter iniciado a partir da primeira missão uma preparação que a levou a fazer a primeira comunhão no terceiro ano de missões.

“Existem três tipos muito gerais de missionários: aqueles para os quais aquela semana é só mais uma semana de voluntariado (não são católicos nem o querem ser); aqueles para os quais aquela é uma semana boa, mas, tendo em conta a caminhada de fé que fazem diariamente, é apenas mais uma semana; e, por fim, aquele missionário a quem aquela semana muda a vida. É giro porque eu inscrevi-me como o primeiro tipo, no fim do primeiro ano de missões fui o terceiro tipo e atualmente estou no segundo”, explica, garantindo que, embora todas as missões a tenham sido “marcantes, cada uma à sua maneira”, o primeiro ano foi o “ano de conversão”.

Vitória Gambôa Pais conta que a partir do terceiro ano de missões “achava que já não fazia sentindo continuar”. “Havia muita gente a ficar de fora que eu sabia que precisava mais do que eu desta semana. Mas Deus discordava e, mesmo deixando passar prazos de inscrições e horários, acabava sempre por entrar. É difícil nós pormos a nossa vida e as nossas decisões nas mãos de outra pessoa, ou, neste caso, nas mãos de Deus, mas, de facto, Ele sabe sempre melhor que nós o que fazer”, acrescenta.

A estudante considera que “a ‘Missão País’ tem uma coisa bastante engraçada”: “nunca é demais”. “As missões são uma maneira muito direta de ver Deus, pois vemo-l’O no serviço. No entanto, com o passar do tempo percebemos que esta semana Deus apenas nos grita o que nos anda a sussurrar o ano inteiro: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida»”, conclui aquela jovem, lembrando que o “verdadeiro desafio” começa quando acaba a semana de missão: “viver todos os dias como um dia de missões, seguindo Jesus”.

Por essa razão, integrou-se na paróquia de São Pedro de Alcântara, em Lisboa, no movimento ‘Comunhão e Libertação’, nas Equipas de Jovens de Nossa Senhora e participa nas atividades do NEC – Núcleo de Estudantes Católicos da sua universidade. Sobre a ‘Missão País’ diz ser “um desafio que deve ser lançado a todos, não só a católicos”. “Este projeto realmente muda vidas, não só as das terras que nos recebem, mas também as de todos os que missionam”, conclui.

David Braz, de 21 anos, é outro dos repetentes. O estudante do quarto ano de Engenharia Naval e Oceânica no Instituto Superior Técnico realizou este ano a sua segunda missão e foi, juntamente com outra estudante, chefe geral na semana que decorreu de 9 a 16 de fevereiro na Batalha, promovida pela Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa com a participação de mais 41 jovens.

Natural e residente em Faro, aquele jovem da paróquia de São Pedro, conta ter-se sentido chamado a fazer a experiência apenas no terceiro ano de estudos porque nos anteriores esteve diretamente envolvido nos Convívios Fraternos realizados na Diocese do Algarve. Motivado por um amigo que já tinha participado, inscreveu-se e conta ter-se identificado “completamente” com o projeto. “Depois do primeiro ano fiquei com intenção de ir nos anos que me restassem na universidade”, testemunha.

David Braz diz que a experiência, para além de lhe ter permitido “conhecer pessoas com várias visões e formas de estar perante o catolicismo”, “ativou” o seu “espírito missionário”. “Acho que é uma experiência que todos os estudantes universitários católicos deveriam experimentar pelo menos uma vez. Recomendo vivamente”, acrescenta.

Aquele missionário assegura ainda ser “completamente diferente” participar como chefe geral. “Participar como missionário «normal» envolve uma preparação de um dia ou dois, enquanto como chefe envolve uma preparação de meses para que a missão corra o melhor possível”, diferencia, acrescentando haver também “uma grande diferença de responsabilidades e de gerência de tempo” durante a semana.

Repetente e chefe geral foi também Tomás Severino Bravo na missão com mais 59 jovens, realizada pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, de 2 a 9 de fevereiro, na Atouguia da Baleia, na diocese de Lisboa. Aquele estudante do segundo ano de História e natural de Tavira conta que teve conhecimento do projeto através do NEC – Núcleo de Estudantes Católicos da sua faculdade ao qual aderiu quando foi estudar para Lisboa.

Aquele jovem de 19 anos da paróquia de Santiago de Tavira considera que o lema geral da ‘Missão País’ – “inspirar gerações que vivam a fé católica em missão” – é a verdadeira síntese da ação do projeto. “Ser missionário é estar disposto para servir uma comunidade com todas as nossas forças. Foi isso que o nosso cardeal patriarca referiu quando pregou o retiro aos chefes de missão no colégio São João de Brito, a importância de um dia a dia de missão, estar atento às pequenas coisas, tal como Jesus quando iniciou a sua vida pública”, contou.

Tomás Severino Bravo também considera ser muito diferente participar como chefe geral. “É garantir que tudo corre bem, e para isso, é preciso deixar de missionar com todos os missionários para missionar de outra maneira, internamente”, observa, considerando ser “muito gratificante” no final ver que do trabalho dos oito chefes apoiados pelo sacerdote assistente “saiu uma semana trabalho para Deus, que conseguiu mudar a vida de muitos jovens” e de “muitas pessoas” da paróquia missionada. Aquele universitário acrescenta ainda que também a paróquia de origem dos missionários “é sempre marcada pelos frutos” do seu serviço.

Quem também repetiu a experiência foi Catarina Cavaco, de 19 anos, que também fez parte do grupo de chefes da missão na Barreira, freguesia urbana de Leiria, mas como responsável da comunidade que visitou a escola local. A ‘Missão País’, realizada com mais 59 participantes, de 27 de janeiro a 3 de fevereiro, foi promovida pela Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa.

Aquela jovem natural de Faro e pertencente à paróquia de São Pedro diz que a “incrível” experiência a ajudou a “voltar a encontrar o rumo”. “Toda a mudança para Lisboa, trouxe algumas dificuldades e acho que as missões ajudaram a fortalecer mais a minha fé”, refere, acrescentando terem permitido “vivenciar momentos intensos” com Deus. “O facto de todos os dias termos uma forte componente espiritual faz com que pensemos e queiramos cada vez mais estar mais perto d’Ele”, complementa.

“No ano passado tinha gostado imenso e este ano acho que ainda gostei mais”, acrescentou, considerando que as três dimensões complementares da missão – externa (com a comunidade missionada), interna (entre os missionários) e pessoal (entre o próprio missionário e Deus) –, permitem que ela tenha um impacto real em todas estas vertentes. “Conseguimos perfeitamente sentir que aquela semana marca não só nós missionários, como também as pessoas com quem estivemos”, garante.

Reincidente foi também Catarina Gonçalves, de 19 anos. Estudante de Ciências Biomédicas na Universidade do Algarve teve de voltar a integrar a missão noutra academia por o projeto não estar ainda presente na sua. Este ano foi para Monchique, de 10 a 17 de fevereiro, participar na ‘Missão País’ levada a cabo pelo Instituto Superior Técnico, tendo integrado a comunidade do contacto porta a porta.

Natural de Quarteira, mas residente em Faro e pertencente à paróquia de São Pedro daquela cidade, Catarina soube da ‘Missão País’ através de uma colega de curso que também já estudou na Universidade do Porto e participou lá em missões. A estudante algarvia garante que a experiência constituiu um “momento de viragem” na sua caminhada cristã e “indicou o caminho a seguir”. “São momentos que recordo e me ajudam a voltar ao caminho quando estou mais perdida nas encruzilhadas da vida”, sustenta, a estudante que está a colaborar na implementação daquele projeto na Universidade do Algarve.

Cristina Casas, de 21 anos, estudante no terceiro ano de Medicina no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto, também é repetente. Natural de Faro e paroquiana de Almancil, aquela jovem participou com mais 57 estudantes na missão em Santa Marta de Penaguião, no distrito de Vila Real, promovida de 9 a 17 de fevereiro pelo seu instituto universitário.

Foi motivada a participar por membros de um grupo ligado à Comunidade Canção Nova, ao qual pertence, que já tinham feito a experiência e considera que a mesma contribuiu para aumentar a sua fé e a ajudou a “tirar o travão” no ímpeto de ser missionária. “Vamos lá com o objetivo de ajudar e dar-nos um pouco aos outros, mas o que recebemos ainda transcende o que damos. É mesmo uma experiência para se voltar de coração cheio e com motivação para fazermos essa missão com as pessoas que nos rodeiam no dia a dia”, conta a jovem que integrou a comunidade que visitou o lar de idosos.

Reincidente é também Henrique Sintra Coelho, de 22 anos. Estudante do quarto ano de Medicina na Universidade de Lisboa, participou este ano na sua segunda missão com mais 59 missionários, desta vez em Vila de Rei, no distrito de Castelo Branco, de 16 a 24 de fevereiro, promovida pela sua academia. Pertencente à comunidade de São Paulo (Patacão) da paróquia de São Pedro de Faro e natural da cidade, “já tinha ouvido falar” da missão, mas inscreveu-se desafiado por um colega e ficou integrado na comunidade que visitou um centro geriátrico.

Henrique diz que a experiência é comprovativa da existência de Deus e conta que constituiu um “momento de muitas respostas” e de “fundamentação” da sua fé.

Beatriz Ferrinho, de 21 anos, estudante no terceiro ano da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, embora tivesse conhecido o projeto no primeiro ano, só neste é que conseguiu participar. Estreou-se na semana de 16 a 23 de fevereiro, promovida pela sua universidade em Moimenta da Beira, no distrito de Viseu, em que participaram mais 59 missionários. Paroquiana de São Pedro de Faro e natural da cidade, foi incentivada por amigos que já tinham participado e integrou a comunidade que visitou o lar de idosos de Leomil.

Beatriz conta que “foi uma experiência intensa a vários níveis”. “Primeiro, de envolvimento com uma comunidade que não conhecia, mas com a qual era suposto criar laços e conseguir, de algum modo, marcá-la. E depois, de oração e de encontro com Deus”, testemunha, lembrando a importância da oração. “Só é possível passar a mensagem d’Ele, se O tivermos dentro de nós. E esse era o objetivo dos muitos momentos de oração que tivemos: encontrarmo-nos, encontrarmo-nos com Deus, para depois O podermos levar a quem quiséssemos”, lembra, acrescentando que esta dimensão a levou também à segunda caraterística da experiência: “foi uma experiência de descoberta”. “Descobri que levar Deus às pessoas é mais fácil do que eu imaginava. Estive mais de perto com velhinhos e que sorriso fácil que eles têm! E que fácil é passar-lhes Deus, basta fazer companhia, basta fazer conversa, basta estar lá para eles, basta dar a mão ou cantar uma canção”, testemunha, explicando que “a receptividade das pessoas foi incrível”.

Aquela missionária diz que a “experiência humana” servirá para o seu “enriquecimento pessoal e também pastoral” e “ficará capitalizada para no futuro pôr a render”. No imediato, diz que servirá para “incentivar mais jovens a fazerem a ‘Missão País’”.

Estreante foi também Carolina Mascarenhas, de 18 anos, na missão levada a cabo com mais 34 participantes pela Faculdade de Motricidade Humana, de 27 de janeiro a 3 de fevereiro, em Alenquer, o distrito de Lisboa. Aquela estudante de um curso de especialização técnica em cozinha na Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve, em Faro, pertence à comunidade do Imaculado Coração de Maria da paróquia da Sé daquela cidade.

Carolina soube do projeto através da sua “melhor amiga”, universitária em Lisboa. “Ela já fez três, e após cada missão, vinha com uma alegria inexplicável que me cativava imenso, mas ao mesmo tempo me deixava triste por achar que não podia missionar e experimentar o que ela sentia naquela semana”, conta. Resolveu então contactar a organização para saber se poderia participar e foi aceite.

A missionária considera a experiência “o verdadeiro início” da sua vida. “Fez-me mudar a minha visão em relação aos outros”, refere, acrescentando que “esclareceu algumas dúvidas que tinha” e a “ajudou também a crescer”.

João Espanhol, de 18 anos, foi outro dos principiantes. O estudante do primeiro ano de Economia da Universidade do Algarve participou, de 3 a 10 de fevereiro, na missão em Aljustrel, no distrito de Beja, promovida pelo Instituto Superior de Agronomia com mais 62 participantes.

Residente em Pechão, mas paroquiano da Conceição de Faro, João Espanhol, de 18 anos, conheceu a ‘Missão País’ através de amigos que estudam em Lisboa e publicaram fotografias no Instagram. No início deste ano letivo, em conversa com a Catarina Gonçalves, pediu-lhe que tratasse da sua inscrição. “É indescritível a forma como me acolheram, as conversas que tivemos, os momentos de partilha, os momentos de descontração e alegria que pude viver”, conta aquele missionário que integrou a comunidade que visitou a escola do primeiro ciclo.

“Fui convidado a sair da minha zona de conforto e a fazê-lo por Deus. Em diversas situações naquela semana encontrei a presença de Deus. Agora sinto-me reencontrado e com força para começar a verdadeira missão do dia a dia”, acrescenta, explicando que a experiência surgiu numa altura em que se estava a afastar da Igreja.

Na possibilidade de a ‘Missão País’ se alargar à sua universidade diz estar disposto a colaborar.

Alexandra Carrilho, de 20 anos, também foi outra das iniciantes. Aquela estudante do terceiro ano de medicina veterinária da Universidade de Lisboa participou, de 24 de fevereiro a 3 março, na missão da sua faculdade com mais 49 estudantes em Pias, no concelho de Serpa.

Natural e paroquiana de Loulé, Alexandra conheceu o projeto no primeiro ano da faculdade, mas só este ano conseguiu participar e assegura ter regressado “com uma fé mais fortalecida”. “Gostei bastante da maneira como vivemos lá a fé. Tínhamos as orações da manhã e da noite, a missa e o terço. Mas, mesmo na missa, estávamos com uma postura diferente da que se vê aqui nas paróquias. Acho que as pessoas aqui já vão muito à missa por obrigação e lá íamos mesmo porque gostávamos. Acho que sentíamos muito mais a fé do que aqui, em que faz parte da rotina”, acrescentou a estudante que integrou a comunidade do teatro.

Rodrigo Soares, de 21 anos, é outro dos estudantes da Universidade do Algarve que teve de se estrear integrando a ‘Missão País’ de uma outra academia. Participou na semana de 10 a 17 de fevereiro, promovida pelo Instituto Superior Técnico em Sagres. Aquele estudante de Turismo, que é natural de Santarém e paroquiano de Alcanede, mas integrou-se na paróquia de São Pedro de Faro desde que chegou ao Algarve, conheceu a ‘Missão País’ há três na sua paróquia de origem.

Rodrigo conta que a experiência foi “desafiante para um jovem universitário que sente a missão de humanizar o ambiente onde vive”. “Ao longo da semana pude vivenciar que o mundo tem sede de Deus e que eu, como todos aqueles que participaram nesta experiência única, posso e devo ser instrumento de amor e dedicação aos outros. O sorriso das crianças e o carinho daqueles idosos marcaram me para sempre”, acrescenta aquele estudante que integrou a comunidade de contacto porta a porta e que também espera poder vir a colaborar na implementação do projeto na Universidade do Algarve.

Rita Palma, de 18 anos, estudante de Engenharia Eletrotécnica e Computadores no Instituto Superior Técnico, participou na mesma missão do David Brás, promovida pela Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa. Ficou integrada na comunidade que visitou, de manhã, o centro escolar de manhã e à tarde todos rodavam por todas as comunidades.

Natural de Faro e pertencente à paróquia de São Pedro, diz querer partilhar a mensagem a outros.

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