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© Samuel Mendonça

“Que formação proporcionamos nós aos nossos colaboradores para que inspirem a sua atuação na Doutrina Social da Igreja?”. Foi a partir desta pergunta que a irmã Isabel Martins, da congregação das Servas de Nossa Senhora de Fátima, oradora no encontro dos centros sociais paroquiais e outras instituições sociais da Igreja algarvia em Tavira, motivou à elaboração de um plano de formação para os colaboradores daquelas organizações.

A religiosa, que lembrou que a Doutrina Social da Igreja apresenta-se “como um dos marcos doutrinais mais importantes para qualquer cristão que se queira comprometer voluntária ou profissionalmente na ação social, assim como para as instituições sociais da Igreja”, aludiu à “exigência da formação dos colaboradores” daquelas instituições, de modo a que “incorporem na sua atividade profissional de todos os dias a mesma atitude de Cristo perante a pessoa que sofre”.

A oradora, que lamentou que a formação cristã, “durante muitos anos”, não tenha sido “preocupação das instituições”, evidenciou a necessidade da mesma. “É das coisas mais urgentes. Sem formação de trabalhadores não temos instituições cristãs”, advertiu.

“Que diálogo com o idoso poderá estabelecer por exemplo uma ajudante de ação direta se ela mesma não for elaborando a sua proporia síntese acerca das questões existenciais: sofrimento, doença, solidão, sentido da vida e da eternidade, morte? Onde encontra uma educadora estímulo para não discriminar aquela criança cujos pais são tão ansiosos e difíceis de gerir? Onde vai buscar uma rececionista o sorriso constante para atender em cada situação que, por vezes, surge em avalanche, com a mesma disponibilidade e solicitude? Que diríamos dos picos de tensão numa cozinha para atender convenientemente a todas as solicitações à hora do almoço? Que tem a fé a dizer nestas situações? Que percursos de fé fazem os nossos colaboradores e como os acompanhamos?”, questionou, acrescentando ser no “acompanhamento de todos e cada um destes percursos que a formação ajudará estas pessoas a assumir a identidade cristã” das instituições.

Neste sentido, a consagrada defendeu que a formação de colaboradores, “ainda que seja uma obrigatoriedade legal consignada no Código do Trabalho, não pode cingir-se à formação técnica”. Com base em diversos documentos da Igreja sublinhou as três “grandes áreas” a ter em atenção na formação, de modo a que esta seja integral: “competência profissional e técnica, formação espiritual e doutrinal, nomeadamente acerca da Doutrina Social da Igreja e a formação humana, sobretudo nos valores humanos e cristãos”.

A oradora disse ainda que, dos documentos apresentados, pode ainda inferir-se um “perfil de trabalhador” para as instituições sociais da Igreja: “pessoa com competência técnica, com capacidade de autoavaliação individualmente e em equipa, com uma fé amadurecida de modo a que a prestação de serviços seja a tradução do seu amor a Jesus Cristo porque O reconhece na pessoa que serve e assume o seu estilo de serviço, uma pessoa com experiência de oração e com sentido de pertença eclesial”.

A terminar, defendeu ainda que a formação de colaboradores se enquadre num plano pastoral para a instituição. “Um plano pastoral beberá do projeto da instituição e desenvolver-se-á em três áreas: a formação espiritual dos utentes e famílias, a formação de colaboradores e a articulação com a Igreja local”, sustentou.

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