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De manhã, no mercado de Olhão, sobraram as reclamações: os comerciantes queixavam-se de quebras no negócio, enquanto reformados lamentavam as pensões baixas, medicamentos mais caros e cortes nos apoios sociais, como o abono de família. A todos o candidato comunista respondia – salientando que “de olhos nos olhos” – sempre com um apelo ao voto no dia 23, para mostrar a indignação contra as medidas do Governo.

A uma funcionária da Câmara de Olhão, que disse ter um salário de 500 euros, Francisco Lopes perguntou: “O custo de vida está a aumentar. Está a ver como é necessário mudar isto para melhor?”.

Um argumento que não convenceu José Marques.

“O senhor aparece na televisão e tem um discurso muito bonito. Mas há uma música que eu conheço que diz assim: ‘São todos iguais, ao fim e ao cabo’”, disse o idoso.

“Não digo na televisão, mas digo-lhe olhos nos olhos. Pensões congeladas, medicamentos e bens de primeira necessidade mais caras, não acha que tem de ser mudado?”, perguntou.

Perante as queixas, Francisco Lopes defendeu que a solução é “uma política de justiça social e que não desvie os recursos nacionais para o capital estrangeiro nem para os grandes grupos económicos” e que permita criar “emprego e riqueza” e desenvolver o país.

Muitos vendedores viram uma oportunidade de negócio na comitiva da campanha.

Com marcada pronúncia algarvia, uma jovem peixeira cumprimentou o candidato: “Bom dia, amigo, é para me comprar um peixinho?”, perguntou, antes de defender que “os jovens precisam de muita ajuda”.

Noutra banca de peixe, a dúvida de Filipa Dias era outra: “Com a crise económica e social e política que se estabeleceu no nosso país, como é possível que se gaste tanto dinheiro em campanhas eleitorais?”.

”Por isso é que a minha campanha se baseia menos nos gastos e mais nas pessoas”, afirmou o candidato.

Mais tarde, numa ação na rua do comércio de Faro, as queixas de falta de negócio repetiam-se, tal como as críticas à classe política.

“É tudo igual”, afirmava um vendedor de artesanato, a quem Francisco Lopes desafiou a “refletir e nunca perder a esperança”.

Numa esplanada de café, um idoso ironizava: “É o único [candidato] que não é do PS, não é?”.

No Algarve, Francisco Lopes ainda ouviu vários elogios.

“Parece mais novo que na televisão”, comentou um homem, enquanto uma mulher afirmava: “Pelo menos tem uma cara bonita”.

Com outra cliente do mercado não teve tanta sorte, que começou por lhe recusar beijinhos.

“Tem muito boa figura, mas eu não quero comunistas no Governo. É pena ser apoiado pelos comunistas”, o que motivou o desabafo de Francisco Lopes: “Não se perdeu tudo”, disse, com um encolher de ombros.

Folha do Domingo/Lusa
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