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Segundo o filósofo, todo o homem é, por natureza político.

Quer isto dizer que o empenho na edificação da cidade temporal e secular é um dever de todos, ainda que em graus de participação diferentes e escalonados.

Cada um tem um papel específico e uma função própria a desempenhar.

De qualquer maneira, há uns que tendo optado, precisamente, pela profissão "política" terão que ir na vanguarda, são condutores e chefes; outros, porém, serão ajudantes, digamos assim, de primeiro e segundo plano e finalmente a grande massa, o grosso das gentes que, no fim de contas, reduz a sua participação política a determinados momentos como são, por exemplo, os vários actos eleitorais, através dos quais escolhe e elege os que se propõem entregar à causa comum, isto é, ao governo da cidade temporal.

Entre os que enveredaram pela actividade política contam-se os verdadeiramente vocacionados para desempenharem com eficiência e são todos aqueles que procuram ser coerentes, que dizem o que pensam e realizam o que prometem.

São chamados políticos sérios, completamente avessos à mentira e a toda a espécie de calúnia.

Menos sérios serão os que andam ao sabor dos ventos, ao sabor das circunstâncias, inclinando-se ora para um lado, ora para o outro, consoante lhes acenam com engodos apetitosos…

Há-os palavradores, autênticos papagaios, que só falam, nada realizam e, muitas vezes, até nem sabem o que dizem e prometem, daí que a mentira lhes saia, quase espontânea, da boca para fora…

Há ainda os políticos rezinguentos e os auto-suficientes que sabem tudo, que mandam tudo, que desprezam os demais que são uns coitados, uns inaptos e incapazes de cuidarem do que quer que seja, quanto mais do bem comum, da "coisa pública"!…

Subsistem ainda os políticos semelhantes aquela célebre figura queirosiana "o Pacheco" com o seu famoso "talento" profundamente calados e pensativos…

Ao lado dos muito competentes e trabalhadores vicejam os preguiçosos e incompetentes, nas várias Assembleias, que, ordinariamente, se limitam a levantar braços, a fazer votações sentados ou de pé, consoante as sábias e estratégicas indicações dos diferentes Partidos que para ali os catapultaram até, muito provavelmente, sem que eles lhe conheçam, a fundo, a essência ideológica, porque, infelizmente, os nossos parlamentares mais representam partidos do que grupos ou classes de eleitores e seus reais problemas e interesses.

Muitos tipos e feitios de "político" cirandam pela nossa praça, quer a nível nacional, quer a nível regional, que, se os quiséssemos especificar, seria assunto único a preencher as páginas do jornal…

Mas por aqui nos quedamos e valha-nos os políticos autênticos, já que a grande maralha pertence ao reino da inutilidade e do parasitarismo.

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