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O bispo do Algarve disse na missa da solenidade da Imaculada Conceição a que presidiu esta noite na Sé de Faro, que “Maria abriu a humanidade e o mundo ao Advento do Deus Redentor”.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

“Pelo seu «sim» a Palavra de Deus entra na história da humanidade, já que em Jesus, Verbo de Deus encarnado, se inaugura um tempo novo de graça e liberdade para todos os filhos de Deus”, sustentou D. Manuel Quintas, lembrando que a primeira celebração da Imaculada Conceição ocorreu em Coimbra em 1320, três séculos antes do gesto de D. João IV que, em 1646, coroou e proclamou a Virgem Maria como rainha e padroeira de Portugal.

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O bispo diocesano disse que “Maria é, por excelência, a mulher do Advento”, a “Mãe, companheira e amparo seguro neste caminho que a Igreja percorre, em cada um dos seus membros, na preparação do encontro com o Senhor, que vem”. “Maria indica-nos o caminho do próprio Jesus, fonte de alegria e de esperança”, reforçou.

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O bispo do Algarve evidenciou o contraste da “obediência de Maria”, como “expressão de fé, confiança filial, descentramento de si mesma e abandono”, com “o caminho da desobediência e da rejeição do projeto de Deus” de Eva. “Maria escutou, acolheu e deixou que Deus tomasse conta de si mesma, fosse o todo e o tudo da sua vida”, sustentou, considerando que “Eva é a imagem daqueles que optam por viver segundo interesses centrados em si mesmos, expressão do orgulho e autossuficiência pessoal, prescindindo de Deus ou mesmo em oposição a Ele; daqueles que pensam que a obediência à Palavra de Deus diminui a sua liberdade e lhes tira a capacidade de viver plenamente a própria vida”.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

“Proferir o nosso «sim» diante da Palavra de Deus, como Maria, não significa diminuir a nossa liberdade, diluir a própria identidade e dignidade pessoal, mas sim entregar-se, com autonomia e liberdade ao projeto de salvação de Deus para nós e para toda a humanidade… E Maria foi aquela que melhor experimentou esta salvação na entrega total ao dom oferecido: por isso a veneramos e celebramos como Imaculada Conceição. Ela é a imagem daqueles que se abrem ao mistério de Deus, realizado plenamente pela encarnação e pela obra redentora de Cristo”, prosseguiu.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

D. Manuel Quintas considerou ainda que “o caminho percorrido por Maria ilumina igualmente este tempo de Pandemia que, direta ou indiretamente, a todos atinge”. “Este é verdadeiramente um tempo de prova e de superação dos nossos temores; de verificar os alicerces da fé que nos guia no meio desta tempestade e nos abre à esperança; de discernir sobre o que é essencial e secundário; de analisar o modo como estamos a viver a nossa relação com Deus, com os outros, com o mundo”, desenvolveu.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O bispo do Algarve, que já o mês passado tinha exortado à reflexão sobre as “lições” a tirar da pandemia, voltou a insistir no desafio. “Este, apesar da angústia que nos provoca e do receio que por vezes nos incute, devemos acolhê-lo como um tempo privilegiado para parar, discernir, ponderar e avaliar, e também para decidir, à luz do Espírito, sobre o que é verdadeiramente essencial, numa vida renovada pelo amor de Deus, acolhido e assumido de modo mais consciente neste tempo de preparação para a celebração do Natal”, afirmou.

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Numa alusão à última encíclica do Papa ‘Fratelli Tutti’ (Todos Irmãos), cuja leitura aconselhou, o bispo do Algarve desejou ainda que os cristãos se esforcem por acolher a “todos como irmãos”, “particularmente os que mais precisam e mais reclamam” o seu apoio. “Em tempo de pandemia, que nos revela a fragilidade da nossa condição humana e o quão importantes e necessários somos uns para os outros, quero no meu e vosso nome, concluir entregando sob o amparo da nossa Rainha e Padroeira, esta oração a Deus Pai, que sempre olha com amor e misericórdia para as angústias e aflições dos seus filhos, tendo presente sobretudo os atingidos pela Covid-19 e suas famílias”, afirmou, antes de concluir com uma oração pelos doentes, moribundos e falecidos e pelos que por eles choram, pelos cientistas e investigadores, pelos profissionais de saúde, pelos governantes e por toda a família humana.

A celebração da eucaristia foi precedida pela oração do Terço da Vida Nascente em que se rezou pelas “mães grávidas que se encontram em tribulação diante desse acontecimento para que acolham a vida nascente como dom e vontade de Deus”, pelos que estão “ao serviço da vida e acompanham com amor tantas situações delicadas e de risco para os nascituros”, pela “transformação de coração perante o dom da vida” de “todas as formas” “de recusa e rejeição da vida nascente”, por “todas as mães e pais, a fim de reconhecerem desde a primeira hora o valor sagrado da vida nascente e a bênção que cada nascituro é para a sua família e para o mundo” e “por todas as mulheres que se viram forçadas ou optaram pelo desencontro com a vida nascente dos seus filhos”.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo
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