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O Governo aprovou a semana passada um programa para o planeamento e gestão da paisagem das serras de Monchique e de Silves, incluindo medidas para criar resistência a fogos, que mobiliza um total de 20,5 milhões de euros até 2039.

Na sequência da aprovação em Conselho de Ministros, o Ministério do Ambiente indicou, em comunicado, que o programa de Reordenamento e Gestão da Paisagem das Serras de Monchique e Silves (PRGPSMS), no Algarve, pretende agir na “reconversão da paisagem em territórios de elevada perigosidade de incêndio” e “define as diretrizes de planeamento e de gestão, as áreas e as ações prioritárias de intervenção”, além de um sistema de monitorização.

O programa identifica como áreas prioritárias o “Corredor Verde”, no município de Monchique, e a “Nova Serra”, no município de Silves, ambos afetados por um incêndio de grandes dimensões em agosto de 2018.

Entre as ações prioritárias estão identificadas a valorização das linhas de água e dos mosaicos de gestão de combustível, a reabilitação do sistema de socalcos e a valorização de sobrantes de biomassa florestal.

Com a valorização das linhas de água, pretende-se a criação de galerias ripícolas associadas a linhas de água e a criação de pontos de abertura de incêndio, com a criação de mosaicos de parcelas de terrenos dedicados a usos agrícolas e silvopastoris no meio de manchas florestais, para que esta descontinuidade aumente a resiliência e facilite o combate a incêndios florestais.

Com o sistema de socalcos, pretende-se melhorar a conservação do solo e da água e contribuir para a produção agrícola local, “a manutenção de descontinuidades da paisagem e a promoção da identidade local e regional”, salientou o Ministério do Ambiente.

O material lenhoso proveniente de cortes, desbastes e desmatações deverá ser aproveitado para produção de energia ou integração no solo, “contribuindo para a proteção contra a erosão, para a produção de solo vivo e para o sequestro de carbono”, salientou.

O PRGPSMS tem como base orientações do Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território (PNPOT) e terá um sistema de monitorização mantido pela Direção-Geral do Território, em articulação com o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas.

O fogo de Monchique deflagrou no dia 03 de agosto de 2018 e foi dominado uma semana depois, no dia 10.

O incêndio foi o maior, em termos de superfície ardida, em 2018, destruindo uma área superior a 27.000 hectares de terrenos agrícolas e de floresta, de acordo com dados oficiais.

Pelo caminho atingiu o vizinho concelho de Silves, tendo atingido também, embora com menos impacto, os municípios de Portimão (no mesmo distrito) e de Odemira (distrito de Beja).

No concelho de Monchique arderam 16.700 hectares, 74 habitações (30 das quais de primeira habitação), infraestruturas municipais, empresas e terrenos de produtores de agricultura de subsistência.

No de Silves arderam cerca de 10 mil hectares, essencialmente explorações suinícolas e de pecuária, tendo atingido também o Centro Nacional de Reprodução do Lince Ibérico,​​​​​.

Quarenta e uma pessoas ficaram feridas, uma das quais com gravidade.

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