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A Infraestruturas de Portugal (IP) projeta concluir a obra de eletrificação da Linha Ferroviária do Algarve, num total de cerca de 100 quilómetros em dois troços, até final de 2020, caso não sejam necessários estudos de impacte ambiental.

“Estamos a concluir os estudos dos projetos para os dois troços. Prevemos poder lançar as empreitadas durante o ano de 2018, estar a começar a obra até final de 2019 e concluir a empreitada até final de 2020”, adiantou o vice-presidente da IP, Carlos Fernandes, à margem da apresentação do Projeto de Eletrificação da Linha do Algarve, realizada em Faro.

A obra, integrada no programa de investimentos Ferrovia2020 e orçada em 57 milhões de euros – com financiamento comunitário de 85% -, inclui a eletrificação dos troços remanescentes, entre Tunes e Lagos, com 45 quilómetros de extensão, e entre Faro e Vila Real de Santo António, com cerca de 56 quilómetros.

A estimativa estará, contudo, dependente da avaliação da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) ao pedido de enquadramento da Infraestruturas de Portugal, explicou o responsável.

“Caso seja decidido que não é necessária uma avaliação de impacte ambiental, as empreitadas serão lançadas ainda este ano”, disse Carlos Fernandes, acrescentando que, se a resposta for contrária, o processo deverá atrasar-se seis meses.

A calendarização inicial aponta para o fim da obra em 2020 e a realização de testes e certificações, para que, no início de 2021, possam entrar em serviço os dois troços.

A intervenção garantirá “impactos sensíveis” na melhoria da qualidade dos serviços, permitindo que, com novo material elétrico, sejam feitos “com maior qualidade, com maior rapidez e com menos tempo de trajeto”, sublinhou o vice-presidente da IP.

“Há um conjunto de benefícios, como redução de tempo, redução de custos ferroviários ou redução de acidentes, que são calculados e nos permitem alcançar uma taxa de rentabilidade económica interessante, na ordem dos 20 por cento, demonstrando a viabilidade económica do projeto para ter acesso ao financiamento comunitário”, assinalou Carlos Fernandes.

O administrador da CP – Comboios de Portugal, Abrantes Machado, na sessão, foi questionado sobre a modernização dos equipamentos e serviços para responder à eletrificação do troço, mas disse não ser possível precisar a alteração de oferta.

“Prevê-se que haja uma alteração de serviços, proporcionando maior mobilidade e mais ligações a Lisboa e ao longo da Linha do Algarve. Todavia, neste preciso momento, não é possível precisar alterações de oferta, porque não há conhecimento preciso de qual será o material que será possível alocar no pós-eletrificação”, disse o responsável da CP.

O projeto de eletrificação da Linha do Algarve integra também trabalhos de reforço e estabilização de taludes, de melhoria das condições de acesso ao transporte ferroviário nas plataformas de passageiros, de reabilitação de pontes e viadutos e de compatibilização dos sistemas de sinalização e telecomunicações.

Está prevista a construção de uma nova subestação de tração elétrica em Olhão, para alimentar o troço entre Faro e Vila Real de Santo António, orçada em dez milhões de euros, enquanto para o outro troço bastará apenas a ampliação da atual subestação de Tunes.

O vice-presidente da IP anunciou ainda que a empresa vai estudar a possibilidade de ligação dos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro à rede ferroviária nacional, no âmbito do próximo quadro comunitário. “A Infraestruturas de Portugal gostaria de, no próximo quadro comunitário 2020-2030, estudar não só a ligação ao Aeroporto de Faro, mas também a ligação ao Aeroporto de Lisboa e ao Aeroporto do Porto. Gostaria de poder ter em cima da mesa a possibilidade de ligar os três aeroportos do continente à rede ferroviária nacional”, disse Carlos Fernandes.

De acordo com o vice-presidente da IP, para já existem apenas “instruções” do Ministério do Planeamento e das Infraestruturas para desenvolver os estudos de avaliação da ligação da rede ferroviária nacional ao Aeroporto de Faro.

A possibilidade de ligação dos três aeroportos à rede ferroviária, acrescentou Carlos Fernandes, corresponde a um “objetivo importante” para a Comissão Europeia de ligar os “principais geradores de passageiros”.

“Gostávamos de, para os três aeroportos, apesar de, do ministério termos recebido instruções apenas relativamente a este [Faro], ter os estudos preparados para, se o quadro comunitário que aí vem o permitisse, poder executar este, dois ou três destas ligações”, sublinhou o responsável da Infraestruturas de Portugal.

Sobre a ligação ao Aeroporto de Faro, Carlos Fernandes explicou que o principal problema não passará pelo montante financeiro – que avaliou em 25 milhões de euros, “importantes mas não proibitivos” -, mas sim pelo ponto de vista ambiental, face à proximidade da infraestrutura à Ria Formosa.
“Aquilo que me dizem é que não é tanto um problema de montante financeiro, mas essencialmente ambiental. Temos de encontrar solução para, do ponto de vista ambiental, numa zona complexa, materializar essa ligação. Veremos em que condições e de que forma”, referiu.

Durante os trabalhos nos dois troços, a IP prevê a criação de 140 postos de trabalho.

O programa de investimentos Ferrovia2020 prevê, até 2023, um investimento global de dois mil milhões de euros e a intervenção de 1.000 quilómetros de linhas ferroviárias no continente.

Neste momento, revelou o vice-presidente da IP, estão em obra ou em concurso cerca de 655 milhões de euros e, até final de 2018, estará concluído cerca de cinco por cento (102 milhões de euros) do montante total.

com Lusa

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