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Investigação oncológica da UALg arrecada dois prémios da “Maratona da Saúde”

Investigadores_ualgA Universidade do Algarve (UALg) arrecadou dois dos quatro prémios da primeira edição do Prémios de Investigação “Maratona da Saúde” que será transmitido esta sexta-feira na RTP1, pelas 21:30, com dois projetos de investigação na área oncológica.

Ana Teresa Maia e Pedro Castelo-Branco são os investigadores responsáveis pelos projetos desenvolvidos no Centro de Investigação Biomédica da Faculdade de Ciência e Tecnologia da UALg.

À Lusa, Ana Teresa Maia, doutorada em genética humana, explicou que a candidatura do seu projeto ao prémio pretende fazer a caraterização de três marcadores que a investigação tem associado a uma elevada predisposição para o cancro da mama e ajudar a desenvolver terapias de prevenção do cancro da mama.

“Estamos a contribuir exatamente para identificar os grupos de risco antes de essas mulheres desenvolverem cancro para as podermos rastrear muito mais amiúde para que um dia se, eventualmente, desenvolverem cancro serem tratadas na fase mais precoce possível para que a doença tenha o menor impacto possível”, esclareceu.

A investigadora espera que no futuro seja possível fazer uma estimativa individual e o mais precisa possível dos riscos de desenvolvimento do cancro da mama, tendo por isso sublinhado a importância de identificar cada vez mais marcadores.

Cada projeto premiado pelo programa “Maratona da Saúde” vai receber 25 mil euros e foi escolhido entre mais de 80 projetos de investigação submetidos a concurso.

Pedro Castelo-Branco é o responsável pelo projeto premiado que pretende testar a capacidade de diagnóstico de um biomarcador que permite identificar no cancro da mama quais os tumores que são benignos ou malignos.

O biomarcador já foi testado em tumores cerebrais pediátricos e no cancro da próstata, através de consórcios internacionais, tendo tido “resultados bastante promissores”, permitindo perceber a potencialidade de um tumor progredir para um estado maligno, disse à agência Lusa aquele investigador.

Segundo o docente da UALg, o biomarcador consegue identificar o mecanismo que permite que a enzima telomerase (responsável pela progressão do cancro) esteja ativa.

Esta descoberta pode ser “aplicada a formas de cancro” que tenham “uma zona cinzenta”, em que não se sabe se “o tumor vai avançar ou não”, tais como leucemias, melanomas, cancro do cólon, bexiga, rins, cervical e endocervical, referiu.

O biomarcador “é extremamente importante” para se evitarem “tratamentos com efeitos secundários nefastos” quando estes não são necessários, sublinhou, afirmando que o método pode ajudar os médicos a decidir quando e como tratar o cancro.

Para além dos testes no cancro da mama, o investigador quer também avançar com testes do biomarcador no cancro do cólon e da bexiga.

Ana Teresa Maia admitindo ter ficado satisfeita com o prémio: “O nosso trabalho é árduo e o apoio à ciência escasseia hoje em dia. Iniciativas como a Maratona da Saúde são magníficas, louváveis e que me permitem a mim, por exemplo, continuar estes estudos”.

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