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Perto de completar 80 anos, Clint Eastwood, o actor e realizador norte-americano responsável por clássicos como; “Caçador Branco, Coração Negro”, “Imperdoável” e “Million Dólar Baby”, regressa aos ecrãs portugueses com “Invictus”.

Baseado em acontecimentos reais, a acção do filme situa-se no período seguinte à queda do Apartheid e segue a trajectória da selecção sul-africana de rugby durante o campeonato do mundo de 1995.

Ainda que possa parecer um filme sobre desporto, “Invictus” é na verdade uma obra sobre o papel desempenhado por Nelson Mandela na estabilização política da África do Sul após a queda do regime do Apartheid, e os esforços por este desenvolvidos no sentido de criar uma sociedade multicultural e multiracial.

De facto, apesar de seguir a estrutura clássica de filmes sobre desporto, como “Rocky” ou “Fuga para a Vitória”, “Invictus” utiliza o campeonato do mundo de rugby como uma mera moldura narrativa, concentrando a sua atenção nas relações que se estabelecem entre as personagens principais.

Segundo o olhar do realizador, o campeonato do mundo de rugby de 1995 e a selecção sul-africana serviram como meros instrumentos para a concretização do projecto político de Mandela, servindo para unir em torno de um objectivo comum, uma nação dividida por conflitos raciais.

Eastwood revela uma vez mais a sua capacidade para envolver emocionalmente o espectador, graças a um estilo de realização clássico que privilegia o conteúdo do filme sobre a exibição da sua forma.

Do elenco destacam-se Morgan Freeman no papel de Mandela e Matt Damon no papel do capitão da selecção nacional sul-africana. Freeman interpreta com perfeição o líder do ANC, captando a essência da personalidade de Mandela sem necessitar de recorrer à imitação dos maneirismos do ex. Presidente, como é comum acontecer em filmes biográficos e Damon, que já se encontra a rodar um novo filme com Eastwood, oferece uma interpretação ao bom nível a que já nos habituou em filmes como “The Departed”, “O Bom Pastor” e “Syriana”, compondo uma personagem psicologicamente credível.

Ainda que não atinja a dimensão dramática e o rigor formal de obras como “Imperdoável”,“Million Dollar Baby”, “Cartas de Iwo Jima” ou do mais recente “Gran Torino”, “Invictus” é no entanto uma obra bem sucedida que consolida a posição de Clint Eastwood como um dos mais importantes realizadores norte-americanos da actualidade.

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