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ir_isilda_soares1A irmã Isilda Soares, da congregação das irmãs Missionárias Reparadoras do Sagrado Coração de Jesus, deixou o Algarve no princípio do mês passado depois de ter trabalhado na Diocese do Algarve durante 29 anos.

A consagrada regressou à sua diocese de origem, Angra do Heroísmo, para trabalhar no Secretariado Diocesano da Catequese.

Tendo vindo para a diocese algarvia em 1984, a permanência na região da religiosa natural dos Açores teve apenas um interregno de três anos em que esteve fora. Na altura veio para trabalhar no Secretariado Diocesano da Catequese, serviço que desempenhou durante três anos em colaboração com o padre Henrique Varela e outra irmã da sua congregação.

Simultaneamente começou a lecionar a disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica, tendo sido professora até ficar aposentada desse serviço em 2015. Foi sobretudo docente do segundo e terceiro ciclos, mas também do secundário e do primeiro ciclo. Passou pelas escolas Afonso III, José Neves Júnior, João de Deus, Pinheiro e Rosa, do Montenegro e de Estoi. No primeiro ciclo trabalhou também em escolas da cidade de Faro, mas sobretudo nas das freguesias rurais do concelho.

ir_isilda_soares2Para além disso trabalhou na paróquia da Sé de Faro, na área da residência da sua comunidade religiosa, onde foi responsável pela catequese no tempo do então pároco, padre Henrique Ferreira da Silva. Foi também catequista nas paróquias do Montenegro, da Conceição de Faro e de Estoi.

A sua passagem pela Diocese do Algarve ficou ainda marcada pelo trabalho com os imigrantes ucranianos que iniciou em 2002, quando teve início a grande vaga de imigração daquele país do leste. Na altura implementou com o pároco de São Luís de Faro e com duas professoras aposentadas daquela paróquia o ensino do Português àquelas pessoas. O trabalho não se limitou ao ensinamento da língua (que foi pedido também pela paróquia de Estoi), mas estendeu-se à ajuda na regularização de documentos, na procura de alojamentos, no acesso a cuidados de saúde, entre muitos outros apoios. Colaborou igualmente na promoção de festas de natal, de peregrinações a Fátima, entre outras iniciativas.

Por causa deste trabalho, a irmã Isilda Soares – que reconhece que a sua dedicação à causa da imigração foi motivada pelo facto de ser filha de uma família emigrante nos Estados Unidos da América –, foi convidada a integrar o Secretariado das Migrações da Diocese do Algarve, uma colaboração que exerceu durante alguns anos, enquanto aquele departamento diocesano teve como responsável o falecido padre Júlio Tropa Mendes.

Ao longo destes 14 anos de trabalho com a comunidade ucraniana conheceu histórias dramáticas de imigrantes vítimas de redes mafiosas e de gente sem escrúpulos como a de uma mulher sem documentação, vítima de exploração, que chegou a albergar em casa até se conseguir meios de fazê-la regressar a Kiev.

Conseguiu também a autorização da Escola EB 2/3 José Neves Júnior para a Associação dos Ucranianos do Algarve utilizar as suas instalações para o funcionamento do Centro Educativo e Cultural Luso-Ucraniano de Faro “Escola Taras Shevtchenko”.

Por tudo isto, a diretora daquela escola ucraniana do Algarve distinguiu-a em junho do ano passado, considerando que a religiosa foi “um forte apoio para as famílias ucranianas, para a Associação dos Ucranianos do Algarve e para a escola ucraniana”.

O serviço na Pastoral Prisional foi outro dos aspetos que marcou a passagem pelo Algarve da irmã Isilda Soares que começou a trabalhar com reclusos ainda nos Açores, na prisão de Ponta Delgada. Com o Estabelecimento Prisional de Faro iniciou a colaboração semanal em 2013, tendo constituído uma equipa composta por mais cinco pessoas. A religiosa considera ser “compensatório” aquele trabalho com os detidos. “Ao contar-lhes que outros reclusos tinham sido batizados ou feito a primeira comunhão em prisões noutras dioceses e houve logo dois ou três que quiseram iniciar uma caminhada semelhante. Então comecei a fazer catequese com eles antes da reunião semanal”, conta, acrescentando que irá dar seguimento a este trabalho nos Açores.

Da Diocese do Algarve diz ter levado a “imagem de uma Igreja que procura caminhar dentro das muitas limitações” e, analisando a sua colaboração com a Igreja algarvia, afirma estar de “consciência tranquila”. “Acho que não fiz mais do que devia fazer, fiz aquilo que devia”, considera.

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