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Irmã Lúcia Nunes celebra 50 anos de consagração religiosa

Foto © Samuel Mendonça
Foto © Samuel Mendonça

A irmã Lúcia Nunes, da comunidade algarvia da congregação das Missionárias Reparadoras do Sagrado Coração de Jesus, também está este ano a celebrar 50 anos de consagração religiosa.

A religiosa, natural da freguesia de Santo Antão, concelho da Calheta, na Ilha de S. Jorge (Açores), foi uma das consagradas que teve o privilégio de conviver com os fundadores do seu instituto religioso, Maria das Dores Paes de Sande e Castro, que viria a ser a madre Maria da Santíssima Trindade, e D. Moisés Alves de Pinho, então provincial da Congregação do Espírito Santo.

Esse é mesmo um dos aspetos que, em entrevista ao Folha do Domingo, aponta como mais marcantes deste meio século de vida consagrada, cujo balanço destaca ser “positivo”. “Foi uma graça muito grande ter sido contemporânea deles”, considera, lembrando ter conhecido muitas das primeiras irmãs da sua congregação.

Sendo a segunda filha de 14 irmãos, nascida no seio de uma família “muito unida”, a religiosa destaca a importância da educação por via do testemunho da mãe. “A minha mãe era muito piedosa e sensata e muito cristã. Foi ela que me ensinou a rezar. Era a minha catequista e foi ela que me preparou para a primeira comunhão”, conta, lembrando que na altura não havia catequese organizada na sua paróquia.

Após ter completado os estudos, a preocupação de Lúcia Nunes continuou a ser a ajuda à família, até começar a pensar no seu futuro. “A partir dos meus 17 anos comecei a pensar no que seria a minha vida. Não me atraía ter a minha casa e uma família. Queria uma coisa mais ampla”, lembra.

Em 1960, o seu pároco desafiou as Missionárias Reparadoras do Sagrado Coração de Jesus para formarem uma comunidade na paróquia e a catequese passou a estar a cargo da congregação. Lúcia Nunes identificou-se com aquelas religiosas e aos poucos ia descobrindo a sua vocação, até que um dia o revelou a uma das irmãs.

Apoiada pela família, decide então vir para o continente para entrar na casa do noviciado (período de discernimento que antecede a consagração definitiva a Deus) em São Mamede do Coronado, no concelho da Trofa. “No princípio custou-me um bocadinho, sobretudo pelas saudades da família, mas estava contente”, conta, lembrando que ao noviciado seguiu-se o postulantado até à consagração religiosa no dia 21 de agosto de 1965.

Em novembro surge a desafio de abraçar a missão ad gentes em África, e, depois de uma viagem de 15 dias de barco, chega a Angola. Naquele país permaneceu até 1975, trabalhando três anos numa primeira missão e sete anos numa outra, perto de Huambo (na altura Nova Lisboa), numa zona mais interior. “Foi mesmo um tempo que me encheu”, lembra.

O regresso a Portugal acontece por causa da Revolução de Abril, e quando chegou foi destinada para rumar a Itália. Perto de Milão trabalhou, de 1975 a 1982, numa casa de acolhimento que recebia grupos. Depois foi para Roma até 2000, para uma casa dos padres claretianos que acolhe irmãs que fazem formação. “Sempre me senti realizada”, confessa.

No ano 2000 regressou a Portugal, para trabalhar em Fátima, no Centro Catequético, uma casa para acolhimento e formação de catequistas, onde esteve até 2013, altura em que foi para a comunidade de Aveiro, tendo um ano depois vindo para o Algarve.

Para além de pertencer à comunidade algarvia, em Faro, da sua congregação religiosa, o ano passado colaborou na catequese da comunidade do Imaculado Coração de Maria da paróquia da Sé de Faro, junto à casa das Missionárias da Caridade, conhecidas como irmãs de Teresa de Calcutá. Este ano, por se sentir “um pouco mais debilitada” não exerce esse trabalho, mas ainda visita algumas pessoas idosas.

Fazendo uma retrospetiva deste quarto de século, a religiosa considera que celebrar 50 anos de consagração numa altura em que ocorre o Ano da Vida Consagrada, o Ano Santo da Misericórdia e os 50 anos de encerramento do Concilio Vaticano II é motivo para agradecer a Deus. “Sinto-me feliz. Agradeço a Deus ter podido fazer esta experiência até hoje. É o momento de dar muitas graças a Deus”, afirma, lembrando também a “evolução desde o Concílio [Vaticano II]”. “Foi uma grande transformação”, constata.

Tendo uma memória agradecida do passado, mostra-se disposta a viver o presente com aquilo que Deus lhe proporcionar e com esperança no futuro. “Vivo de esperança num futuro que só o Senhor é que sabe e que me dará aquilo que é melhor para mim”, afirma.

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