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Foto © Samuel Mendonça
Foto © Samuel Mendonça

Depois de 19 anos a trabalhar no Algarve, a irmã Maria Gorete Pereira da congregação das Filhas de Maria Auxiliadora (salesianas) deixou a diocese algarvia no final do passado mês de julho.

A religiosa –, que veio para o Algarve em 1997, cerca de cinco anos depois de ter sido constituída a comunidade salesiana na diocese com sede em Paderne –, começou por trabalhar naquela paróquia e nas de Boliqueime e Ferreiras, esta última ao tempo uma comunidade pertencente à paróquia de Albufeira.

Naquelas comunidades paroquiais, a religiosa foi catequista do 1º ao 12º ano, animadora do coro paroquial e integrou as equipas de preparação para batismos e matrimónios que ajudou a constituir.

Natural de Figueira das Donas, concelho de Vouzela, distrito de Vizeu, a irmã Gorete Pereira fez ainda parte do primeiro grupo de professores da escola EB 2/3 de Paderne, inaugurada em 1997, onde lecionou a disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) durante 10 anos. Aos anos iniciais de lecionação da disciplina no segundo e terceiro ciclos, juntou depois as aulas no primeiro, sendo que as irmãs salesianas chegaram a ser professoras de EMRC naquele escalão em 12 escolas.

Com a deslocalização da comunidade salesiana para Faro em 2007 para assumir o Colégio de Nossa Senhora do Alto em substituição das irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição, continuou a lecionar EMRC naquele estabelecimento educativo da Diocese do Algarve. Ali foi ainda diretora de turma, coordenadora do segundo e terceiro ciclos e membro da direção pedagógica, numa altura de transição que a levou depois a dedicar-se apenas à animação pastoral.

Depois de vir para Faro, continuou ainda a colaborar durante três anos aos fins-de-semana com as paróquias de Boliqueime, Ferreiras e Paderne. Fez parte também do secretariado regional da CIRP – Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal e na comunidade salesiana algarvia foi superiora nos últimos seis anos.

Em declarações ao Folha do Domingo, a irmã Maria Gorete Pereira considera quer o balanço de trabalho no Algarve é “francamente positivo”. “Foi um enriquecimento muitíssimo grande. Não vou mais esquecer. Tudo foi enriquecedor, mas as paróquias encheram-me a alma. Criámos uma comunidade muito boa e as pessoas ainda recordam. Semear aqui o carisma salesiano foi muito bom também”, refere.

“Tinha-me licenciado em Ciências Religiosas, na área da Teologia Pastoral, há poucos anos ainda e quando vim para aqui esta experiência de paróquias e de escola abriu-me um leque muito grande onde eu pude concretizar aquilo que tinha aprendido na Universidade Católica”, acrescenta, lembrando que “os alunos não estavam habituados a ter uma irmã como professora”.

A irmã destaca também a colaboração com o então pároco das paróquias onde trabalhou, o cónego Carlos César Chantre, e recorda a “alegria muito grande de ver nascer a paróquia das Ferreiras”.

A consagrada diz que guardará da diocese uma “imagem muito boa” e confessa que substituir as irmãs franciscanas no colégio diocesano “foi um desafio muito grande”. “Era uma necessidade da Igreja e nós estamos para isso. Tem sido positivo, mas a adaptação foi difícil. Lembro que as pessoas ficavam escandalizadas de nos ver a brincar com os alunos nos recreios, mas isso faz parte da nossa pedagogia”, refere.

A irmã Gorete Pereira seguiu para Areosa, Viana do Castelo, para ficar apenas um ano naquela comunidade salesiana a trabalhar no Externato Maria Auxiliadora, um colégio da congregação que irá ser encerrado.

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