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João Pires nasceu em Faro, a cidade que tanto amou, no primeiro dia do ano de 1925.

Filho único de uma mãe profundamente crente, foi dela que aprendeu as primeiras orações.

Após o Liceu, rumou a Coimbra, onde frequentou o curso de Engenharia Civil, que veio a interromper a pedido do pai, necessitado de ajuda no negócio familiar da produção de vinhos.

Desenvolveu a sua vida em Faro, e aqui viveu, até ontem, dia 21 de Dezembro de 2020.

Foram quase 96 anos de uma vida profissional intensa, que João Pires soube santificar, através do exercício diário e competente da sua vida profissional, em que estiveram sempre presentes o seu grande Amor a Deus, a Nossa Senhora e àqueles que o rodeavam.

João Pires recebeu de Deus a humildade e a caridade próprias de um homem santo.

Percebeu sempre que estava de passagem para a sua verdadeira Pátria, e que a sua missão neste mundo consistia em contribuir, por todos os meios ao seu alcance, para a felicidade dos que se encontravam à sua volta.

E assim procedeu sempre.

A sua preocupação foi sempre a de ajudar os mais pequenos, os mais desafortunados, os mais carentes, os mais necessitados.

Dizia frequentemente, que quando Deus criou o Mundo, o dotou das riquezas necessárias para que todos os seres humanos pudessem viver com dignidade, mas que o homem, com o seu egoísmo, lutava permanentemente contra esse facto.

Os rendimentos que angariou ao longo de toda uma vida de trabalho, dedicou-os, em grande parte, a ajudar os mais necessitados, a cooperar na construção de Lares para a Terceira Idade, a construir novos Templos, onde se adorasse e louvasse a Deus.

Sou testemunha da sua grande generosidade contributiva para a construção, por exemplo, da Igreja dedicada ao Sagrado Coração de Maria, residência das Missionárias da Caridade, de Madre Teresa de Calcutá, nesta cidade de Faro, bem como do seu entusiasmo com a edificação da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Almancil.

Nossa Senhora foi sempre a grande paixão de João Pires.

Tinha a certeza que Maria acolhera sua Mãe, no regaço, e que ambas velavam por ele e o protegiam, actuando sempre como medianeiras de todas as Graças que recebia de Deus.

João Pires era, também, um homem do Teatro, cheio de humor, um contador de histórias e um extraordinário “dizeur” de poesia.

Manuel dos Santos Serra, médico e poeta de Albufeira, dedicou-lhe um poema expressivo, a que chamou “O Talento de Dizer Poesia”:

João Pires passou a sua vida fazendo o bem, gastando-se em favor dos outros, consumindo-se como uma vela, cuja chama da caridade e do amor pelo próximo ardeu até ao fim, até se esgotar plenamente.

Viveu uma vida simples, discreta, fugindo de homenagens e honrarias, que não lhe faltaram enquanto autarca, industrial, diplomata e Comendador.

Vai agora ter o privilégio de passar o Natal no Céu, com a sua querida Mãe, Júlia, junto de Maria, Nossa Senhora e Nossa Mãe, na visão beatífica de Deus e de Jesus, Nosso Senhor.

Um dia, quiçá já não muito longínquo para alguns de nós, voltaremos a encontrar-nos na Verdadeira Vida, que Deus promete aos seus eleitos.

Assim o mereçamos nós, como ele efectivamente o mereceu.

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