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Jornada bíblica da Diocese do Algarve evidenciou São Paulo como “o grande pensador do Cristianismo” [c/vídeos🎦]

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

A jornada bíblica que a diocese algarvia promoveu no passado sábado, através do Centro de Estudos e Formação de Leigos do Algarve (CEFLA) sob o tema “Para compreender as cartas de São Paulo”, evidenciou o apóstolo como “o grande pensador do Cristianismo”.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Na formação, participada por cerca de 170 pessoas no Centro Pastoral e Social da diocese algarvia em Ferragudo, o padre Mário de Sousa, um dos conferencistas e diretor do CEFLA, destacou a consistência dada pelo apóstolo à mensagem de Jesus e realçou que a “quase totalidade da teologia do Novo Testamento” assenta na “teologia de Paulo”. “Paulo expressa uma teologia que não é sua”, precisou, garantindo que o pensamento do apóstolo foi herança das comunidades de Damasco e de Antioquia.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O padre Frederico de Lemos, segundo orador da jornada, sustentou que “Paulo não foi o iniciador” do Cristianismo. “Paulo uniu-se a um movimento que já estava em curso”, constatou, considerando que a “manifestação de Cristo a Paulo” no caminho de Damasco “talvez tenha sido o momento em que, depois de recolher tantas informações sobre Cristo e sobre os cristãos, de repente se fez luz na cabeça e no coração” do apóstolo. “Aqueles anos em que esteve em Damasco e em Antioquia foram anos em que Paulo aprendeu e recolheu informações para depois ir processando e fazendo a sua teologia”, completou o sacerdote jesuíta que se referiu aos “Traços fundamentais da teologia de S. Paulo”.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O padre Mário de Sousa, que proferiu uma palestra precisamente subordinada aos temas “A importância da Igreja de Antioquia na teologia de S. Paulo” e “A teologia da cruz, resposta à comunidade de Corinto”, baseou a sua reflexão em três cartas do apóstolo: primeira aos tessalonicenses, primeira aos coríntios e a epístola aos gálatas.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O formador frisou que “o pensamento de Paulo foi modelado por três realidades: a sua formação farisaica, a sua ligação à comunidade de Damasco, e sobretudo, à Igreja de Antioquia onde permanece 14 anos”. O padre Mário de Sousa lembrou ter sido esta última a “comunidade onde Paulo cresceu na fé” porque “amadureceu esse encontro inicial com Jesus”. “Em Antioquia, o Cristianismo ganha a possibilidade de se tornar numa religião mundial e foi dela que partiram diversas missões evangelizadoras”, referiu.

O orador realçou que São Paulo vem mostrar que “a salvação veio por Jesus” e não por mérito do homem “por cumprir as obras da lei”.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O padre Frederico de Lemos também destacou que “Paulo diz que as obras não justificam o amor, apenas a fé”. “Mas quando fala de fé temos que ter em conta que ela tem a ver com obediência a Deus e que esta se revela nas obras”, ressalvou.

O padre Mário de Sousa destacou que Paulo, “que fez o que fez”, “percebe que foi salvo não pelas suas obras, mas por pura graça e por puro amor” de Deus. “Não sou eu que, pelas minhas obras e pelos meus méritos, chego a Deus, mas é Deus que em Jesus, por pura graça, chega a mim e isso faz-me santo pela ação da graça de Deus. Não é a vida moral que nos leva à vida nova. É a vida nova, que recebi no batismo, que me faz agir de outra maneira”, complementou, lamentando que a “pregação de hoje” seja ainda “muito moralizante”. “Parece que é através da moral que nos aproximamos de Deus. É ao contrário. É a presença dessa vida nova em Jesus que me leva a ter uma vida moral de acordo com a vida nova que recebi. Não se trata de uma imposição, trata-se de uma consequência. As obras são uma consequência da fé e não a fé uma consequência das obras”, clarificou.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O biblista evidenciou então o “grande problema” que esta reflexão gerou na altura, levando ao surgimento de “duas perspetivas na Igreja nascente”. “Para Paulo bastaria que, tal como os simpatizantes do Judaísmo, os tementes a Deus que não eram circuncidados e se convertem à fé cristã abandonassem o culto pagão, ficando deste modo equiparados” àqueles, explicou, garantindo tratar-se de uma “sensibilidade da Igreja” que, “liberta do «colete de forças» do Judaísmo ortodoxo”, “percebe pela sua própria experiência missionária” que não precisa da lei.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Também o padre Frederico de Lemos se referiu à “dimensão universal” do evangelho que Paulo anuncia. “É para todo o homem que crê”, destacou, acrescentando que “com Paulo, a palavra Igreja também se vai começar a aplicar às comunidades dos gentios”, levando ao “desaparecimento de barreiras entre gregos e judeus”.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O padre Mário de Sousa explicou ainda ser o “sublinhado excessivo” dos coríntios da “exaltação de Jesus como triunfador da cruz”, desvalorizando o Cristo que “deu a sua vida” nela que leva Paulo a desenvolver a “teologia da cruz”.

O padre Frederico de Lemos referiu que “enquanto São João vê na cruz uma exaltação de Cristo”, “para Paulo, a paixão e a morte são passos apenas para a ressurreição”. “Para Paulo, a encarnação é importante, mas não é relevante. A relevância da encarnação de Cristo é ter obedecido até à morte. O importante é a ressurreição”, sustentou.

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