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Jornalista João Leal lembrou que Casa de Santa Isabel foi precursora na beneficência

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

A Casa de Santa Isabel, em Faro, instituição de cariz católico para acolhimento de menores em risco do sexo feminino, comemorou na passada quinta-feira o seu centenário e o jantar que incluiu o programa comemorativo ficou marcado pela intervenção do jornalista João Leal que evocou todo o percurso histórico da instituição.

Na alocução sobre o tema “Casa de Santa Isabel, de 1919-2019 – Um percurso centenário de amor!”, João Leal explicou que a ideia partiu do antigo bispo do Algarve, D. António Barbosa Leão. O orador realçou que o bispo, “regressado poucos anos antes à diocese”, não obstante a “onda de anticlericalismo” existente, “teve essa coragem audaciosa, juntamente com outros que se lhe seguiram, de chamar a Igreja a dar uma resposta” aos problemas da altura, perante a inoperância do Estado e dos sucessivos governos, que “nem sequer a boa vontade do presidente Sidónio Pais” conseguiu dissuadir.

João Leal acrescentou que, em 15 de dezembro de 1918, D. António Barbosa Leão convocou o cónego José dos Ramos Bentes e o beneficiado José Bernardo da Veiga, pároco da Sé, para uma reunião naquela catedral para “tratar da criação de um asilo”. “Eram tempos difíceis para Portugal, não apenas pela Primeira Grande Guerra e pela pneumónica, mas eram tempos difíceis para a Igreja se meter numa obra destas”, contextualizou.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

“Viviam-se esses tempos difíceis, crianças pela rua, fome, prostituição, órfãos eram mais que muitos e surgiu uma alma benemérita que foi uma mulher desde logo destinada para a benemerência, para dar de si sem pensar em si: D. Laura Bívar Weinholtz”, acrescentou, lembrando que à benemérita se juntaram Ana de Bívar Cúmano, Maria Francisca Inglês e Maria Silveira em instalações cedidas pela Ordem Terceira de São Francisco.

Mais tarde, “a Ordem Terceira cedeu os terrenos, o presidente Sidónio Pais, por pedido do bispo, deu um subsídio de 800 escudos e foi a 30 de março de 1919, a um Domingo da Paixão, que o senhor D. Barbosa Leão presidiu à inauguração com 14 crianças dos dois aos 10 anos”, acrescentou, precisando que “o terreno onde hoje está a Casa de Santa Isabel era o antigo cemitério da comunidade da Ordem Terceira”.

João Leal evocou a primeira visita pastoral de D. Marcelino Franco, sagrado a 18 de julho de 1920, durante a qual “destinou ao asilo 25 escudos” e a “grande festa” de 1929 em que foi apresentado o “hino do asilo”, com letra de Maria da Piedade Elói, que foi diretora do jornal ‘A Avezinha’, e música de José António Pinheiro e Rosa, então seminarista.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O orador observou que, para além da Casa de Santa Isabel se criaram outras instituições em Faro, “paralelas e talvez inspiradas por ela”. “Faro tinha um quadrilátero de instituições de beneficência sob a égide de inspiração da Igreja e da sua doutrina social”, enumerando, para além da aniversariante, as Florinhas do Sul, o Refúgio Aboim Ascensão, o Instituto D. Francisco Gomes do Avelar (vulgarmente conhecido como Casa dos Rapazes), sendo que somente a primeira já não existe.

Ainda sobre a Casa de Santa Isabel, João Leal lembrou ainda que “as meninas só saiam de lá com 18 ou 19 anos para casar e levavam o seu enxoval e a sua conta no banco para as primeiras despesas da instalação da casa” e que hoje a instituição “prossegue a sua atividade dirigida de acordo com princípios humanistas fundados numa matriz cristã”.

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