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Jovens algarvios que vão à JMJ com o papa desafiados a viver a fé com projeto, profundidade, paixão e autenticidade

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O formador do primeiro encontro de preparação dos jovens algarvios para a próxima Jornada Mundial da Juventude, que vai decorrer de 23 a 27 de janeiro de 2019 no Panamá, foi Tomás Virtuoso, o jovem português que representou o Secretariado Internacional das Equipas Jovens de Nossa Senhora na reunião pré-sinodal com o papa, realizada em março, como encontro preparatório para o Sínodo dos Bispos que está a decorrer em Roma.

O formador, que começou por propor aos jovens que se reunissem em grupos de três elementos para refletirem sobre as perguntas “O que é que Deus é para mim?” e “O que é que a Igreja é para mim?” para chegarem a perceber quem é que são perante Deus e a Igreja, desafiou-os a “não serem vítimas da sua história”. “Queiram ter a vida nas vossas mãos, fazer alguma coisa dela”, pediu no encontro, que decorreu na última sexta-feira nas instalações da igreja de São Pedro do Mar, em Quarteira.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O orador, que já tinha apresentado o mês passado uma reflexão sobre os jovens e a Igreja na assembleia diocese algarvia, alertou os seus coetâneos para “três perigos na relação com Deus e com a Igreja” e partilhou “três pilares” que considerou “fundamentais” na vida para “fugir” àquelas ameaças e para dar “estrutura” à caminhada a percorrer.

“O primeiro perigo é o da rotina”, alertou, advertindo para o risco de estar a “fazer tudo muito bem”, “muito focado nas coisas de Deus”, mas “completamente desfocado do Deus das coisas”. “Às vezes deixamo-nos cair tanto na rotina de fazer as coisas sempre igual que passamos a ser uns «insonsinhos», perdemos completamente a capacidade de que as coisas façam alguma coisa à nossa vida”, avisou.

O segundo “perigo” considerou ser o da “autossuficiência” ou “auto-centralismo”. “É achar que aquilo que já conheço é a única coisa de que preciso. Então fico nesta fé «umbiguista»”, criticou, exortando os jovens a analisarem se a sua fé os “projeta para fora ou para dentro”.

O terceiro e último “perigo” disse ser o do “abaixamento do olhar”. “Nós fomos feitos para ser ambiciosos, para desejar grandes coisas, para aspirar às coisas do alto”, afirmou, desafiando à “boa ambição cristã”.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Os “pilares” indicados por Tomás Virtuoso para a vida de fé foram a necessidade de “projeto”, de “profundidade” e de “paixão”. “O problema da nossa vida de fé é quando não sabemos para onde é que queremos ir, para onde é que vamos, quais são as dificuldades e o que é que nos pode ajudar. No fundo, andamos meio perdidos”, alertou.

Por outro lado, lamentou a “superficialidade”, que considerou uma “chaga nos dias de hoje”, garantindo que ela só se contraria “tendo raízes fundas” que procurem a “profundidade no estudo” e na “vivência da fé”. “É irrelevante doutorados em Teologia que depois não estão dispostos a ser santos, que não dão testemunho da Teologia que aprendem”, referiu, alertando também para o risco de quem se torna num “burocratazinho da fé”. “Estou, cada vez mais, convencido que o que converte as pessoas é paixão com que vivemos a nossa fé. Que a paixão seja um verdadeiro antídoto contra a rotina, a autossuficiência e o abaixamento do olhar”, pediu.

O formador deixou ainda um “convite sério” a uma “revolução de autenticidade na Igreja”, esclarecendo que “o autêntico não é o escandalosamente frontal”. “É aquele que valoriza a verdade que tem que dizer ao outro, ajudar o outro, o que procura ser o mesmo em todas as dimensões da sua vida”, explicou.

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