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Juan Ambrosio lamenta “pressão indevida” sobre o papado

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© Samuel Mendonça

Juan Ambrosio considera que foi colocada sobre o papado “uma pressão que é indevida”.

Nas XIV Jornadas de Ação Sociocaritativa da Diocese do Algarve, aquele teólogo lembrou “o Papa é humano, engana-se, é frágil, não sabe tudo, não tem a certeza de tudo, não é Deus”. “Esta imagem de um Papa muito humano que nos pode causar um enorme desconforto é uma bênção de Deus porque nós colocámos sobre o papado uma pressão que é indevida ao papado”, afirmou o professor de Universidade Católica Portuguesa, lamentando que se tenha feito do pontífice “um deus na terra”.

“É bom que nos habituemos que está ali alguém ao serviço, com as fragilidades inerentes à condição humana, mas que sabe lidar com elas porque tem uma enorme fé em Deus. E, portanto, apesar de, por ventura dizer coisas menos felizes e ter gestos menos próprios, não é por causa disso que as pessoas lhe deixam de reconhecer autoridade que brota da relação com o Pai”, complementou, questionando a ideia de que “a Igreja tem de ser perfeita e não se pode enganar”. “Aonde é que isso está escrito? Nem o próprio Deus lhe exige isso, por que é que temos de ser nós a exigir que a Igreja não se pode enganar? A verdade é que não só se pode enganar, como já se enganou muitas vezes ao longo da história e hoje reconhecemo-lo”, constatou, lamentando que esse reconhecimento seja sempre em relação ao passado.

Ambrosio criticou os que acham que a Igreja perdeu “prestígio e dignidade”, lembrando que a perda da “autoridade moral” é que deveria ser motivo de preocupação. “Nada de uma Igreja preocupada em ser o centro, mas uma Igreja verdadeiramente centrada naquilo que é a sua razão de ser”, advertiu, lembrando que a Igreja deve ser “pobre para os pobres”, “despojada de tralha” porque “uma Igreja despojada de si mesma não se preocupa consigo, com a sua dignidade, com a sua presença social”, mas “preocupa-se com aqueles a quem é enviada”. “Temos ainda uma Igreja revestida de muita coisa, de muito prestígio, farol social…”, lamentou, lembrando que “o mundo requer claramente uma Igreja muito menos centrada nesse prestígio e nessa pompa e muito mais centrada nos outros a quem ela é enviada”.

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