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Jubileu das Pessoas com Deficiência exortou à sua integração nas comunidades paroquiais

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Foto © Samuel Mendonça

No Jubileu das Pessoas com Deficiência, o bispo do Algarve exortou à integração daquelas pessoas nas paróquias.

Na missa que encerrou o encontro, realizado ontem na paróquia das Ferreiras (concelho de Albufeira) e que contou com a presença de cerca de 100 participantes oriundos de várias instituições e paróquias algarvias, D. Manuel Quintas, lembrando que todos, independentemente da sua situação, são “chamados a viver uma espiritualidade própria”, frisou que as pessoas com deficiência “têm o direito” a ser integradas nas comunidades paroquiais e acrescentou que estas são enriquecidas pelos seus “dons e qualidades”.

O prelado disse ainda que o Serviço Pastoral a Pessoas com Deficiência (SPPD) da Diocese do Algarve, recentemente criado e que organizou o encontro, serve para “alertar todas as paróquias” para a realidade da pessoa com deficiência. Já no encontro, que decorreu durante a manhã e a tarde, o bispo diocesano tinha manifestado o “apreço” da diocese por aquele setor pastoral, explicando a sua constituição. “Tínhamos de criar espaço onde pudéssemos incluir esta dimensão porque Cristo ilumina todas as realidades da nossa vida”, justificou. “Todos somos importantes porque somos necessários para criarmos as condições para que esta dimensão pastoral possa continuar e chegar o mais longe possível”, acrescentou.

Lamentando a questão das barreiras arquitetónicas, e concretamente a reprovação por entidades de Lisboa de projetos com vista a melhorar a acessibilidade à Sé de Faro que já tinham merecido a aprovação por entidades regionais, o bispo diocesano explicou que não se trata apenas de criar espaços físicos para as pessoas se sentirem integradas e defendeu na eucaristia que “mais importante” é a “acessibilidade do coração”. “Precisam-se rampas fraternas para que nos sintamos irmãos. Precisa-se de acessibilidade de amor que acolhe, que integra, que dá espaço, vez e voz. É importante e urgente o trabalho exterior que se faz, mas também é importante este trabalho interior”, advertiu.

A responsável nacional pelo SPPD, uma valência da Comissão Episcopal da Pastoral Social e da Mobilidade Humana criada em novembro de 2010 pela Conferência Episcopal Portuguesa, denunciou a “silenciosa exclusão” que afeta as pessoas com deficiência e as suas famílias, excluindo-as da vida da sociedade em geral e também da Igreja.

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Foto © Samuel Mendonça

Maria Isabel do Vale, que explicou brevemente o surgimento do SPPD e a sua implementação nas poucas dioceses portuguesas que já estão a fazer algum trabalho, disse que dessa exclusão “resulta uma total falta de apoio e o isolamento das famílias”, tantas vezes ampliada pela “perda do laço familiar com o abandono da família por um dos progenitores” e pela “falta de apoio social com a rejeição explícita ou implícita das instituições integradoras como a escola, as comunidades de proximidade e lazer e também as comunidades cristãs”.

Lembrando que a esta realidade acresce as “ausências de acessibilidade” como as “barreiras físicas e as mentais”, Isabel do Vale evidenciou que os obstáculos, muitas vezes, são também são os “do coração” e disse que “todas estas pessoas amadas por Deus questionam a Igreja e a sua forma de os acolher e incluir como membros da mesma Igreja”. A responsável referiu-se à urgência de trabalhar com as pessoas com deficiência, “que também têm os seus direitos como cidadãos de pleno direito”, para que sejam acolhidas e reconhecidas e para que também “se torne real a sua inclusão na vida da Igreja”.

Isabel do Vale sublinhou que, “socialmente, a diferença está associada ao sofrimento e é vista como um peso” e que “a deficiência remete para a vulnerabilidade na questão humana e torna-se problemática para uma sociedade com a tirania do sucesso que torna óbvia a exclusão dos mais fracos e também das pessoas com deficiência”.

Perante a “grave situação” da “silenciosa exclusão”, Isabel do Vale apontou “desafios”, defendendo ser preciso “descruzar os braços” para “ousar uma conversa aberta” com a participação de famílias, pessoas com deficiência, profissionais e prestadores de cuidados e realizar uma “reflexão sistemática” que leve a “desejadas mudanças”. “Creio que este debate tem muito a ganhar com uma reflexão séria interdisciplinar”, considerou.

Exortando os agentes da Pastoral das Pessoas com Deficiência a serem “contagiantes” na sensibilização para o trabalho nesta área, interpelou-os, sublinhando que “as pessoas com deficiência são especiais no «coração» de Deus”. “Como ir ao encontro dos que estão em sofrimento? Como anunciar a Boa Nova de Jesus com estas pessoas?”, interrogou.

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