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Jubileu dos Diáconos celebrado com duas ordenações diaconais

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Foto © Samuel Mendonça

A Diocese do Algarve viveu ontem um dia particularmente significativo, não só por celebrar a solenidade do mártir São Vicente, patrono principal da Diocese do Algarve, mas pela ordenação de dois novos diáconos em caminhada para o sacerdócio, no dia em que se celebrou também o Jubileu dos Diáconos permanentes no âmbito do Ano Santo da Misericórdia, proclamado pelo papa Francisco (dezembro de 2015 a novembro de 2016).

Na eucaristia a que presidiu na Sé de Faro –, completamente cheia de algarvios provenientes sobretudo das paróquias de onde são naturais e onde estão a estagiar os ordenados –, o bispo do Algarve destacou que aquela ordenação serviu para recordar que, “no testemunho quotidiano de Cristo, nunca pode faltar a dimensão do serviço”.

D. Manuel Quintas evidenciou que, “pelo sacramento da ordem, na forma do primeiro grau” – o diaconado – “o diácono participa, de modo especial, na missão e na graça de Cristo-servo”, sendo configurado com “Cristo que se fez diácono, isto é, servo de todos, que veio para servir e não para ser servido, modelo de toda a diaconia na Igreja”.

O prelado explicou que desta “atitude de Cristo-servo”, “caraterística identificativa da vocação e missão do diácono, quer na sua forma permanente, quer a caminho do sacerdócio”, “brota uma espiritualidade específica que se apresenta essencialmente como espiritualidade do serviço”.

O bispo diocesano acrescentou que essa espiritualidade “inspira, alimenta e carateriza o ministério do diácono em ordem ao anúncio e testemunho do mistério pascal de Cristo, servidor dos irmãos na Igreja, sobretudo os mais carenciados de Cristo e de amor”, assim como a “animação das comunidades ou dos diversos sectores da vida eclesial” e o “anúncio credível na palavra de Deus, acreditando naquilo que proclama, ensinando aquilo que acredita e vivendo aquilo que ensina”.

D. Manuel Quintas afirmou, em síntese, que “o diácono, pelo seu ministério, deve ser o rosto visível de Cristo no seio da comunidade, dando particular visibilidade à sua condição de servo em favor dos mais necessitados”. “Trata-se de uma participação com grande alcance na missão eclesial no campo profético do anúncio da palavra, no campo litúrgico e no campo da concretização da caridade na Igreja. A sua especifidade ministerial conduz-nos assim à centralidade da comunidade na qual brota a variedade e complementaridade de ministérios”, complementou.

Neste sentido, o bispo do Algarve afirmou que, “como participante do ministério apostólico pelo chamamento, pela consagração e pelo envio, se bem que não seja ordenado para presidir à eucaristia e à comunidade, o diácono permitirá aos pastores da Igreja, bispos e presbíteros, realizarem melhor o ministério específico da presidência e do acolhimento”. “[O diácono] possibilitará à Igreja ser sinal e testemunho da diaconia de Cristo-servo, sempre unida à gratuidade, já que a prioridade está no acolhimento amoroso e no reconhecimento humilde de que é Deus quem conduz a história humana e nos envia a proclamar o mistério pascal de Jesus Cristo”, acrescentou.

Considerando que os novos diáconos “vêm enriquecer” a Igreja algarvia, D. Manuel Quintas lembrou ainda que o serviço “específico e identificativo do ministério diaconal, não é exclusivo dos diáconos”. “Todos nós somos chamados a ser «diáconos» na Igreja”, disse.

O bispo diocesano desejou ainda “que este dom dos novos diácono possa transformar-se em semente de novas vocações ao diaconado permanente e ao sacerdócio”. D. Manuel Quintas desafiou os católicos algarvios a manter o “apreço” e a “estima” pelos seus presbíteros e diáconos e, sobretudo, a continuar com o “compromisso” de não esmorecerem na oração por novas vocações.

D. Manuel Quintas dirigiu-se ainda ao grupo dos diáconos permanentes. “Destacamos a sua condição de servidores de Cristo e do seu povo, serviço presente de tantas formas na nossa Igreja Diocesana e que hoje, de modo particular, me é grato reconhecer e agradecer, certamente também, em nome de toda a diocese”, afirmou.

Após a homilia, a celebração prosseguiu com o rito da ordenação dos diáconos Fernando Rafael Rocha, de Quarteira, e José Chula, de Monchique, constituído por alguns gestos significativos, mas que teve como momento mais importante o da ordenação propriamente dita com a imposição das mãos do bispo diocesano sobre os ordinandos.

Um dos gestos significativos com a colocação das mãos dos ordinandos nas mãos do bispo, um gesto de comunhão e de unidade, prometendo-lhe obediência e reverência enquanto sucessor dos apóstolos, sinal e garante da unidade da Igreja e desta com a Igreja de Roma. Outro aconteceu já depois das ordenações com os recém-ordenados a serem revestidos com as vestes diaconais, recordando que, antes de mais, se devem continuar a revestir de Cristo.

Aos diáconos foram-lhes entregue o livro dos evangelhos que agora, de modo particular, têm a missão de anunciar, mas sobretudo de amar e viver.

Igualmente significativos foram os abraços aos restantes diáconos presentes (particularmente o de José Chula ao diácono Manuel Chula, seu pai, que também foi quem lhe impôs as vestes diaconais) e o serviço ao altar prestado pelos novos diáconos.

Os diáconos Fernando Rafael Rocha e José Chula estão ambos a frequentar o chamado estágio pastoral, respetivamente, nas paróquias de Tavira e de Loulé.

O primeiro grau do sacramento da ordem é da ordenação diaconal, o segundo o da ordenação sacerdotal e o terceiro o da ordenação episcopal (bispo).

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