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Jubileu_cne_dia_bp_2016 (64)
Foto © Samuel Mendonça

Nem o intenso frio que se fez sentir no passado sábado demoveu os escuteiros algarvios do Corpo Nacional de Escutas (CNE) de celebrarem o seu jubileu no contexto deste Ano Santo da Misericórdia proclamado pelo papa Francisco (dezembro de 2015 a novembro de 2016).

A iniciativa – promovida em colaboração pela Diocese do Algarve e pela Junta Regional do Algarve do CNE na passagem do 159º aniversário natalício de Baden-Powell (BP), fundador mundial do escutismo, ocorrido no passado dia 22 deste mês – teve lugar em Vila Real de Santo António.

O dia, sob o lema “Edificar um mundo melhor”, contou com a participação de 1792 elementos (490 Lobitos, 563 Exploradores/Moços, 359 Pioneiros/Marinheiros, 125 Caminheiros/Companheiros e 225 dirigentes) que realizaram diversas atividades inspiradas no tema da misericórdia. A jornada teve início na Praça Marquês de Pombal com os agrupamentos escutistas a passarem a ‘Porta Santa’, construída de propósito para esse efeito.

A abertura do jubileu deu-se com a atuação da companhia de dança “A Idade de Ouro”, seguindo-se depois as atividades pelas quatro secções – Lobitos, Exploradores, Pioneiros e Caminheiros (no caso do ramo terrestre) e Lobitos, Moços, Marinheiros e Companheiros (no caso do ramo marítimo) – centradas em personalidades ligadas ao concelho de Vila Real de Santo António.

Os Lobitos (escuteiros entre os 6 e os 10 anos), que trouxeram trabalhos realizados baseados na obra de Manuel Cabanas, artista nascido em Vila Nova de Cacela, realizaram jogos tradicionais trazidos também por cada uma das alcateias dos agrupamentos.

Os Exploradores e Moços (escuteiros entre os 10 e os 14 anos), que tiveram como personalidade atribuída o Marquês de Pombal, fundador de Vila Real de Santo António, realizaram um jogo para reconhecimento dos principais pontos de interesse da cidade. Uma síntese da sua história ou a aquisição de um caramelo espanhol foram algumas das tarefas que tiveram de realizar, para além da resposta a um breve questionário sobre a vida de BP.

Debruçados sobre a vida de António Aleixo, natural da cidade, Pioneiros e Marinheiros (escuteiros dos 14 aos 18 anos) procuraram construir a biografia do poeta popular. Tendo recebido um exemplar da sua penúltima publicação, intitulada “Este livro que vos deixo”, os grupos tiveram de passar por vários postos que lhes eram sugeridos através de pistas sob a forma de poemas. Para além de alguns jogos sobre a Lei do Escutismo, entre as inúmeras tarefas a cumprir tiveram de construir e estampar um galhardete com a imagem do poeta e fazer uma fotografia junto à sua estátua.

Os Caminheiros e Companheiros (escuteiros dos 18 aos 22 anos), a quem coube a como personalidade Lutegarda Guimarães de Caires, ativista, cronista e poetisa natural da cidade, percursora da iniciativa “Natal dos Hospitais”, visitaram duas instituições – o lar da Santa Casa da Misericórdia e a Unidade de Cuidados Continuados – onde animaram os utentes. Para além desta visita editaram um “jornal” com crónicas relacionadas com o Dia de BP.

O dia terminou com a celebração da eucaristia no Pavilhão Multiusos, no Complexo Desportivo Municipal, presidida pelo bispo do Algarve, D. Manuel Quintas, e concelebrada pelo assistente regional do CNE, o padre Nelson Rodrigues, e por vários outros sacerdotes assistentes dos 33 agrupamentos algarvios do movimento escutista.

O bispo diocesano agradeceu por “todo o bem que o CNE semeia no Algarve”, lembrando que o movimento é “uma ajuda muito importante”, referindo-se aos valores que propõe para educação das novas gerações. “Sei o grande contributo que este movimento está a dar às famílias do Algarve”, afirmou ainda D. Manuel Quintas em declarações à Agência Ecclesia e ao Folha do Domingo.

Na missa, o prelado lembrou que “Aquele que inspira estes valores pelos quais se rege o CNE é a pessoa de Jesus”. “Como iluminou Baden Powell, ilumina hoje também os vossos chefes, aqueles que estão à frente de cada agrupamento”, sustentou.

Em declarações à Agência Ecclesia e ao Folha do Domingo, o prelado considerou que o movimento escutista “continua hoje ainda com uma grande vitalidade pela pedagogia que apresenta e pelos valores que propõe”.

O prelado lembrou o contributo que todos são chamados a dar para que este mundo seja melhor. “Este mundo começa no nosso coração. Só podemos mudar o mundo e contribuir para que os outros sejam melhores, se nós próprios formos melhores também, se mudarmos o nosso coração, se formos melhores do que aquilo que somos”, advertiu, agradecendo, por fim, à Junta Regional do CNE que concluiu o seu mandato com esta atividade.

A chefe regional adjunta interveio no final da celebração para referir esse facto. “Foi um prazer servir-vos estes anos”, afirmou Maria José Leote que à Agência Ecclesia e ao Folha do Domingo destacou que a região algarvia é das poucas que celebram o Dia de BP com todos os agrupamentos. “Isso por si só é muito bom e é simbólico da unidade da região”, sublinhou, referindo ser no seio das suas paróquias que os escuteiros estão a celebrar o Ano Santo da Misericórdia porque “o dever do escuta também começa na paróquia”.

Também o bispo do Algarve confirmou essa realidade. “O convite que tenho feito a estes movimentos é que celebrem o jubileu a partir da sua própria comunidade”, frisou D. Manuel Quintas, que disse ser “sempre marcante” para a Igreja diocesana a celebração do dia de BP. “Verifico que ninguém fica indiferente a esta avalancha de escuteiros numa cidade. Esta presença mexe necessariamente com as populações locais e isso leva a que todos possam crescer no apreço e na valorização deste movimento”, sustentou.

Já Conceição Cabrita, vice-presidente da Câmara de Vila Real de Santo António, pediu aos escuteiros que nunca tenham vergonha de transmitir os valores aprendidos da “verdade, justiça, lealdade, amizade, humildade e perdão”.

No final da eucaristia foi assinado um contrato de comodato entre a Câmara Municipal e o CNE, com vista à cedência das instalações para a futura sede do Agrupamento 1370.

Atualmente, o movimento escutista conta com mais de 30 milhões de elementos no ativo, dispersos por 216 países do mundo. O CNE foi fundado no dia 27 de maio de 1923, por ação de D. Manuel Vieira de Matos, arcebispo de Braga, e está atualmente presente em todas as dioceses de Portugal, registando um efetivo de 73.000 associados (59.000 crianças e jovens e 14.000 adultos), sendo que no Algarve são cerca de 2.200 pertencentes a 33 agrupamentos.

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