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‘Laudato si’ lança “novo desafio educacional” para um “novo estilo de vida”

Foto © Samuel Mendonça
Foto © Samuel Mendonça

O frei Paulo Ferreira afirmou na passada quarta-feira que o Papa Francisco lança na sua recente encíclica um “novo desafio educacional” que visa conduzir a um “novo estilo de vida”, “um novo paradigma”.

“O paradigma que vigora na sociedade contemporânea é um paradigma tecnocrata que parece que perdeu o sentido da integralidade da vida. Por isso, o Papa nos propõe uma ecologia integral”, afirmou o sacerdote franciscano na apresentação do documento, intitulado ‘Laudato si’, cuja temática central é a ecologia.

No encontro que decorreu no Seminário de Faro, o frei Paulo Ferreira aludiu à necessidade de saber “ver o mundo na sua inteireza” e ao “apelo a uma consciência comum”. “Também o Santo Padre apela para o sentido de um futuro que diz respeito a todos, do qual somos responsáveis”, prosseguiu, acrescentando que o “novo desafio educacional” pretende “criar novos hábitos” com vista a uma “educação ambiental também aberta ao mistério”. “Só assim se torna possível percebermos o que é que é uma ética ecológica. A ética ecológica nasce exatamente da abertura ao mistério, àquele que é totalmente outro e que nos ajuda a descobrir os outros”, completou.

O frei Paulo Ferreira explicou que o Papa aponta como “âmbitos educativos” desse “desafio educacional” a escola, a família, a catequese, os seminários, as casas religiosas e os meios de comunicação que têm um “papel fundamental” naquilo a que chama a formação de uma “cidadania ecológica”. “O Santo Padre fala exatamente da urgência de todos estarmos envolvidos na constituição de uma cidadania ecológica”, sustentou.

O orador acrescentou então que Francisco pede uma “conversão ecológica” que implique “gratidão, agradecimento e consciência amorosa de não estar separados das outras criaturas”. “Sabemos que temos uma relação e que devemos cultivar essa relação com os outros. Os outros não são apenas as pessoas, são todos os seres que nos rodeiam”, explicou, referindo também a importância da consciência de uma “fraternidade universal”. “Ela é típica da nossa espiritualidade cristã. Esta espiritualidade é altamente responsável, leva-nos ao amor social, à chamada cultura do cuidado”, completou na alusão ao capítulo VI do documento.

A sessão contou ainda com as intervenções do bispo do Algarve, que fez a apresentação geral da encíclica e uma referência sumária aos seus capítulos I, II e III e do diácono Luís Galante, que apresentou os capítulos IV e V.

A encíclica é o grau máximo das cartas que um Papa escreve. A expressão ‘Laudato si’, em italiano antigo, remete para o ‘Cântico das Criaturas’ (1225), de São Francisco de Assis, o religioso que inspirou o Papa argentino na escolha do seu nome, após a eleição pontifícia.

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