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A obra, intitulada “A República e a Igreja no Algarve”, procurou sobretudo analisar e contextualizar as atitudes e comportamentos registada no Algarve na I República, em particular com a promulgação da lei da separação, que na opinião do autor “culmina toda a acção levada a cabo durante o período do beneplácito régio”.

Durante a sessão de apresentação, o padre Firmino Ferro, vigário geral da Diocese do Algarve, congratulou-se com mais esta “colaboração dos padres Cunha Duarte” e desejou que este livro “possa servir para informação e para termos a consciência das coisas” porque “a memória histórica é curta”.

Também João Leal, jornalista, a quem coube a apresentação da publicação, destacou que “esta obra faz parte de um conjunto de obras que os senhores padres Cunha têm realizado para a construção da «catedral» da cultura algarvia”. “São «pedras» fundamentais do Algarve, monumento e história”, disse.

João Leal considerou que “esta obra tem esse outro mérito de aparecer como uma voz da Igreja na reposição da verdade”. “O padre Cunha prestou, com este livro, um serviço da maior valia não apenas à Igreja, mas ao próprio Algarve e ao país, porque apresenta uma verdade com nomes e números autênticos e não apenas com funções retóricas”, disse.

O jornalista defendeu ainda que “este livro deve ser dedicado aos que tiveram a coragem de dizer não” como os “padres perseguidos, torturados, vilipendiados e ofendidos, representados na pessoa extraordinária de D. António Barbosa Leão, um bispo cuja obra merece ser mais profundamente estudada, como mais profundamente estudada merece ser a figura de D. Marcelino Franco”.

João Leal lembrou algumas obras publicadas pelos dois irmãos como “Natal no Algarve” ou “Páscoa no Algarve”.

Já o padre Afonso da Cunha sublinhou a simbologia da mesma ter 100 páginas na comemoração dos 100 anos de República e lembrou que “a história é feita de fragmentos”. “Este é um fragmento”, acrescentou.

O autor da nova publicação, que resulta de uma investigação de 15 anos, explicou que procurou ir às fontes de informação. “Fui aos documentos originais porque cheguei à conclusão que a maior parte dos jornais não diziam toda a verdade”, justificou.

O investigador salientou que naquele período histórico da vida portuguesa “não se combateu a monarquia, combateu-se a Igreja” e que “o Boletim do Algarve e a FOLHA DO DOMINGO foram os porta-vozes da Igreja”.

O livro, cujo preço vai ser de 10 euros, deverá começar a ser brevemente comercializado em algumas livrarias de Faro e Lisboa.

Samuel Mendonça
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