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O Governo anunciou quinta-feira um conjunto de medidas de austeridade, negociadas com o PSD, para acelerar a redução do défice em 7,3 por cento em 2010 e 4,6 por cento em 2011 de forma a responder à pressão dos mercados internacionais.

"Há aqui um certo clima de bloco central que pode esconder alguma autonomia de pensamento do PSD", declarou Macário Correia, quando questionado pela Lusa a propósito do pedido de desculpas que Pedro Passos Coelho fez aos portugueses por estar de acordo com o Governo sobre o aumento de impostos, uma decisão contrária à que tinha defendido no passado.

"Este espírito de Governo de bloco central em que está tudo de acordo pode camuflar, pelo menos não se está a escrutinar com clarividência, uma autonomia de pensamento do PSD nesta matéria", explicou, referindo-se às medidas de austeridade para combater as dificuldades económicas anunciadas pelo Governo.

Para Macário Correia, o país precisa de uma linha de pensamento alternativa, que "pode ter muitas faixas de convergência, mas é sempre bom que os países disponham de soluções de pensamentos alternativos do ponto de vista estratégico e político".

Na opinião do presidente da Câmara de Faro e da Área Metropolitana do Algarve, "há medidas com as quais todos estaremos de acordo e ninguém discorda", todavia Macário Correia observa que nunca se deve perder de vista a salvaguarda de alguma autonomia de pensamento, "porque a unanimidade pode prejudicar alguma liberdade de pensamento e alguma liberdade de crítica que pode ser necessária para o arejamento da sociedade".

"A fusão absoluta de muitas ideias e de muitas medidas pode ser prejudicial para uma massa crítica que o país precisa", acrescentou o ex-deputado do PSD.

Entre as medidas, negociadas com o PSD, estão o aumento do IVA em 1 ponto percentual nos três escalões, a criação de uma taxa extraordinária sobre as empresas com um lucro tributável acima de dois milhões de euros de 2,5 por cento, a redução de 5 por cento nos salários dos políticos, gestores públicos e membros das entidades reguladoras, e uma taxa extraordinária de 1 por cento para quem receba até cinco salários mínimos (2.375 euros por mês) ou de 1,5 por cento para quem receba acima desse valor.

Lusa

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