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"Estamos a viver uma situação de crise, mas a crise devia tocar a todos e não apenas a alguns, e as decisões tomadas pelo Governo e pelo partido do Governo no passado recente, nas últimas horas e ontem, são um pouco estranhas, porque dão ideia de que a crise é só para alguns e não para todos", afirmou à Lusa Macário Correia.

O também presidente da Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL) explicou que "os autarcas foram objeto de um corte de vencimento em julho passado e vão ter outro corte em janeiro, em que, de um modo geral, vão perder quase 15 por cento (do salário)".

"Cinco por cento já cortaram e vão cortar mais perto de 10 por cento para a maioria dos autarcas, porque apenas os que têm salários mais baixos não vão chegar aos 10 e deverão situar-se nos sete ou oito. Mas genericamente vamos ter entre 12 a 15 por cento de corte salarial", criticou.

O autarca de Faro considera que não faz sentido o Governo pedir à Assembleia da República para aprovar uma exceção que permita às empresas do sector do Estado escapar aos cortes salariais, enquanto os autarcas são duplamente penalizados.

"Os autarcas levam dois cortes, mas as empresas da orla do Estado podem não ter corte nenhum. Significa que a crise é para uns e não é para outros. Trata-se de uma decisão injusta, ingrata, ainda por cima quando os autarcas e outros titulares de cargos públicos trabalham sem horário, noite e dia, sem parar, com responsabilidades grandes perante as populações", defendeu Macário Correia.

O presidente da Câmara de Faro lamentou que, enquanto os autarcas perdem 15 por cento do vencimento, "um qualquer funcionário de uma empresa pública da orla do Estado fica ilibado de qualquer participação no esforço para a crise".

"É uma injustiça tremenda e é dar um sinal de grande ingratidão para com aqueles que mais trabalham para resolver os problemas das populações", considerou.

Lusa

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