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Seis manifestações depois e já com pórticos e tabelas com preços tapados espalhados ao longo da estrada que liga Vila Real de Santo António a Lagos, falta apenas ao Governo anunciar a temida data.

Os atrasos na requalificação da EN 125, que alguns não consideram uma alternativa viável mesmo depois de melhorada, fazem os autarcas temer um regresso aos anos negros de sinistralidade.

Mas se ainda há aqueles que acreditam ser possível inverter a introdução de portagens, outros, como os presidentes de Albufeira, Loulé, Faro e Vila Real de Santo António (PSD), consideram que pouco há a fazer para demover o Governo.

O presidente de Loulé, Seruca Emídio, que propõe um sistema de pagamento com vinhetas, diz que “o destino está traçado”, opinião partilhada por Desidério Silva, de Albufeira, que acha que vai ser “difícil contrariar” as portagens.

O presidente de Faro, Macário Correia, frisa, por seu turno, que não deixou de contestar as portagens devido à mudança de governo, mas assume considerar “não haver condições para o Algarve se opor” ao processo.

Também os socialistas Júlio Barroso, de Lagos, apesar de ser contra, acha não há condições para recuar, tal como Francisco Leal, de Olhão, que considera o processo “irreversível” e diz que os protestos “não levam a sítio nenhum.”

Menos conformados estão os sociais-democratas de Alcoutim, Francisco Amaral, que defende que a EN 125 “será sempre uma rua, por muitos arranjos que se façam”, e o “vizinho” de Castro Marim, José Estevens, que não a considera uma alternativa viável.

Também Manuel da Luz (PS), presidente da autarquia de Portimão, não aceita as portagens porque, afirma, nem mesmo a EN125 requalificada “representa uma alternativa”.

O presidente da Câmara de Aljezur, José Amarelinho, (PS) diz mesmo recusar-se “a aceitar a inevitabilidade” e lamenta a “resignação” a que os algarvios se remeteram quanto ao tema das portagens.

“Não me parece que as pessoas estejam muito preocupadas. Veja-se a “rentrée” política do PSD no Pontal. Na prática, naquela noite, três mil algarvios validaram a introdução de portagens na Via Infante sem ser necessário falar disso”, critica.

Os presidentes socialistas de São Brás de Alportel, Tavira e Vila do Bispo afirmam também manter-se fiéis ao “não”, com este último, Adelino Soares, a avisar que “não vai fazer barulho só por fazer” e que as portagens não são uma “guerrilha partidária”.

Folha do Domingo/Lusa
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