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“Convidá-lo-ei a fazer comigo o percurso de várias aldeias do Ameixial ou de Salir [Loulé] para verificar como não é possível alguém ser transportado até Faro em menos de uma hora”, disse Mendes Bota à agência Lusa.

O deputado, natural de Loulé, sublinhou que as populações daquela zona só teriam como opção o helicóptero do INEM, aparelho que "também consta do relatório para desaparecer de Loulé em definitivo”.

Mendes Bota disse que vai enviar ainda hoje ao Governo um documento onde expõe os argumentos da sua contestação, já que o encerramento destes serviços “não é operacional”.

A Comissão de Reavaliação da Rede Nacional de Emergência e Urgência prevê o encerramento de 16 serviços de urgência que foram classificados enquanto tal num despacho de 2008, lista na qual se incluem os de Lagos e Loulé.

Apesar de considerar que não há motivo para alarme, por se tratar apenas de um relatório técnico que ainda não originou uma decisão política, Mendes Bota alertou que, a concretizarem-se, estes encerramentos irão afastar muitos cidadãos dos serviços públicos de saúde.

“No caso do Algarve, existe uma realidade que o poder central persiste em ignorar: os nossos utentes não são apenas os residentes, são muitos mais”, referiu o deputado.

Além dos milhares de turistas que passam anualmente pela região, há ainda que ter em conta o interior, “que não pode continuar a ser desertificado, com o Estado a dar o exemplo”.

No caso dos idosos residentes no interior, que não têm meios de transporte pessoais, deve contabilizar-se o tempo que a ambulância demora a chegar à casa do doente e a viagem até ao serviço de urgência, duplicando-se os tempos de assistência, advertiu.

“O Algarve não pode continuar a ser penalizado em todas as frentes”, afirmou.

O deputado contestou ainda a proposta de encerramento da SUB de Lagos, situação que criará problemas de acessibilidade acrescidos tanto para habitantes como para turistas daquela localidade, assim como para os utentes dos concelhos de Aljezur e Vila do Bispo.

Na proposta entregue ao ministro Paulo Macedo, que foi finalizada em fevereiro mas só agora divulgada, sugere-se também a redução de valências de algumas urgências.

Pelas contas da comissão, ficam a funcionar como urgência 73 pontos no país: dez urgências polivalentes (as mais completas), 29 de urgência médico-cirúrgica e 34 de urgência básica.

Lusa

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