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NASCEU Santo Agostinho na Tunísia, em Tagasta (hoje, Souk-Ahras), a 11/11/354. Seu pai de nome Patrício, era pagão, a mãe, Mónica, era cristã.

Tunísia, a actual terra do Jasmim, conheceu os martírios de todas as conquistas; o esplendoroso Cartago foi a cobiça de conquistadores, entre o maior e mais poderoso, o romano. Foi a cidade fundada pelos Fenícios 814 anos A. C. Em tempo cristão, Cartago teve um papel considerável na unificação do cristianismo, com Tertuliano, S. Cipriano, Santo Agostinho, constituindo a sede de importantes Concílios contra os hereges donatistas (movimento herético do Norte de África, sustentado por grupos rivais cristãos, sendo um dos principais intervenientes de nome Donato, daí o donatismo), esse movimento só terminou três séculos depois, com a conquista do Norte de África, pelos sarracenos.

Agostinho foi um jovem culto. Viajou para Roma. Admirou Cícero, tornando-se frequente leitor do grande latinista, e admirador, quando leu Hortensius Hórtalo, ficou preso à filosofia, tinha 19 anos. Foi um jovem mundano, de vida excessiva, como o descreve, corajosamente, no seu precioso livro “Confissões,” em que relata, com rigor, a sua vida mundana e excessiva. Outra das suas obras fundamentais, a “ Cidade de Deus”, fá-lo reconhecer o homem no mundo culto.

Depois de abrir escola em Cartago, 383, Agostinho vagueia pelos lugares da cultura e do cristianismo. Em 387 recebe o batismo, num domingo de Páscoa, pelas mãos de Santo Ambrósio, não tarda a ser sagrado bispo e figura respeitável da igreja, no mundo. Decidiu-se à vida perfeita e ao celibato. Funda o primeiro mosteiro, e aí morre aos 76 anos, a 28/03/430, em Hipona. O seu corpo foi transportado para a Sardenha, depois para Pavia, onde repousa num belo mausoléu, na igreja de S. Pietro in ciel d’Oro.

A REVOLUÇÃO DO JASMIM

Regressamos à terra de Santo Agostinho, no início desta segunda década do século XXI. A Tunísia, por onde passei no ensino universitário, em colóquios e cursos de Verão, recebo informações do meu amigo e colega Tareq, católico activo, nessa alegria de ter entrado no perfume revolucionário do jasmim, em presença de muitos dos seus ex-alunos.

Eu, pessoalmente pressentia que algo estava para acontecer, dado que Tunes, Cartago ou por onde sentia o germinar da vida tunisína, se pressentia que algo estava para acontecer.

Tunis sempre me pareceu uma cidade fronteira da cultura europeia; a língua árabe caldeia-se com a francesa, de que foi região colonizada no século0 XIX.

Então vamos, sinteticamente, às origens e consequências da admirável terra de Santo Agostinho: Tunísia dos Fenícios e dos Gregos, entre outros, fica na posse do império romano, durante séculos. Em 1270, sob o império dos Almóados, é conquistada pela III invasão dos cruzados, sob o comando de S. Luís de França. Em 1535 entra na posse de Carlos V; em 1573 tem novo inquilino, é D. João da Áustria. Lá pelo século XVIII (1765), a bela e sacrificada Tunísia entra na posse dos Husseinitas: uma família que reina até que a Inglaterra lhe tome a posse. Logo a França, já detentora da Argélia, se impõe ao protetorado da Tunísia, pela Convenção de Marsa, em 1883. Só com a 2.ª guerra mundial, e o início do fim dos impérios, a Tunísia ganha a sua independência, em 1956. Torna-se nação republicana, em 1957. Pela Constituição de 1959 rege-se por regime presidencialista, à moda francesa, com governo e presidente da República, em sufrágio universal e direto de 5 anos. Em 1995 a Tunísia assinou um acordo com a França, pressionada por esta república europeia, um “Tratado de Vizinhança, Economia e Reflexões Políticas”. Nada impediu que a ditadura tunisina, com Bem-Ali, fosse incomodada, mas sempre suportada pela França, durante as três décadas. Os E. U. da América não se incomodaram pela situação.

Agora que os jovens vieram pelas ruas da África do Norte e que pelo minetismo tunisino e vão-se alastrando às terras dos ditadores, que se desenvolva o sentido pleno da democracia e que se respeite os valores das religiões, em que os cristãos têm tido todo o ódio que uma outra religião não deve impor aos seus fiéis.

Teodomiro Neto

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