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S. Inácio, Bispo de Antioquia, Mártir no ano 107, escreveu: “Onde quer que se apresente o Bispo, ali esteja também a comunidade, assim como a presença de Cristo Jesus nos assegura a presença da Igreja Católica” (Epistola aos Esmirnenses 8,2). E ainda: “Segui todos o Bispo, como Jesus Cristo a seu Pai, e o presbitério como aos apóstolos; quanto aos diáconos, respeitai-os como a lei de Deus. Ninguém faça nada sem o Bispo, no que diz respeito à Igreja.” (Epístola aos Esmirnenses, 8,1). Tal mensagem, escrita entre os anos 95 e 100 é profundamente teológica e trata-se de um ensinamento muito antigo, que remonta às origens da Igreja. Este Santo Padre da Igreja primitiva colaborou diretamente com os Apóstolos e foi mesmo o sucessor de São Pedro como Bispo de Antioquia da Síria, na atual Turquia. O seu prestígio e autoridade na Igreja, foi dos mais elevados, para não dizer máximo e a sua exortação para que na Igreja ninguém faça nada sem o Bispo, fez escola e perdurou pelos séculos.

No passado dia 17 de Outubro ocorreu a sua memória litúrgica e nesse dia lembrei-me deste seu ensinamento a propósito de uns Senhores que se dizem irmãos e dirigentes de Associações católicas, mas que não querem nada com os Bispos! Querem dirigir essas Associações de fiéis sem que o Bispo, que é o Pastor da Igreja Local, possa dar a mínima orientação, conselho, aprovação, homologação. No fundo acham-se auto-suficientes. Para tentarem diminuir e afrouxar o grau de vinculação ao Bispo e à Igreja preferem que as Associações que dirigem sejam consideradas meras Associações privadas e não Associações públicas de fiéis!

Quem conhece o Movimento Associativo em geral, civil ou eclesial, sabe bem, que os dirigentes de qualquer Associação, que se sacrificam por ela, que sofrem por ela, que dão tudo por ela, gostam que a sua Associação seja considerada relevante pela sociedade, respeitada pelos poderes públicos, tida por um parceiro social a ter em conta no sector específico em que se insere, e naturalmente querem que a sua Associação seja “um mais” e não “um menos”! Paradoxalmente e contra toda a lógica, estes Senhores pretendem que as suas Associações sejam “um menos” (associações privadas de fiéis) e não “um mais” (associações públicas de fiéis), apenas porque desse modo, o seu grau de ligação ao Bispo diocesano seria menor e não teriam que prestar contas da sua administração.

Quando estamos em presença de verdadeiros cristãos, que se alimentam da Palavra de Deus e da Eucaristia, genuinamente imbuídos dos valores do Evangelho, abertos às inspirações do Espírito Santo, tanto lhes faz que as suas Associações de fiéis sejam publicas ou privadas, pois tem bem interiorizado o ensinamento de Santo Inácio de Antioquia e não querem fazer nada sem o Bispo! Pelo contrário, pedem insistentemente conselho e orientação ao Bispo, e não perdem tempo nem gastam energias com discussões bizantinas sobre a natureza pública ou privada dessas Associações. Infelizmente, aqueles Senhores que deram aquela lamentável conferência de imprensa, em nome do Conselho Nacional da União das Misericórdias Portuguesas mais pareciam dirigentes de um Partido ou de um Sindicato do que dirigentes de Associações de fiéis católicos. Como eles não são donos das Misericórdias, mas apenas irmãos e transitoriamente dirigentes, é caso para perguntar o que é que os faz correr e o que é que os motiva assim tanto contra os nossos Bispos e contra a Igreja?…

Ao atacarem os Bispos, atacaram a Igreja toda, pois como também ensina Santo Inácio, onde está o Bispo está Igreja!

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