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Novo contrato de concessão entre o Estado e a Águas do Algarve já foi assinado

O ministro do Ambiente veio na quarta-feira ao Algarve presidir à cerimónia de assinatura do novo contrato de concessão entre o Estado e a Águas do Algarve, que junta o abastecimento de água e o saneamento, na região, até 2048.

Na Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve, onde foi assinado o acordo, João Matos Fernandes defendeu que é preciso “avançar já” com a reutilização das águas residuais tratadas, medida que permitirá poupar água potável e injetar “mais quase 20%” no ciclo urbano.

“Devemos arrancar já na reutilização dos efluentes. O esgoto tratado é água, embora não seja potável, nem para beber”, afirmou, dando como exemplos para a reutilização dessas águas residuais tratadas a lavagem de ruas, a rega de culturas permanentes, de campos golfe e de jardins urbanos.

“A reutilização das águas residuais pode, de facto, injetar mais quase 20% da água no ciclo urbano dessa mesma água e o Algarve está aqui numa posição de grande privilégio”, referiu aos jornalistas, à margem da sessão, aludindo ao investimento de 30 milhões de euros nas novas Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) da Companheira e de Faro-Olhão.

Segundo João Matos Fernandes, essas duas infraestruturas estão “preparadas, sem quase ter de se fazer mais nada”, para que o esgoto tratado seja reutilizado, uma vez que é fundamental que “muito depressa” se consiga reduzir a utilização de água potável em usos secundários.

“Aplicar [a reutilização] a um ciclo da água que já é circular, aproveitando o esgoto tratado é a opção mais inteligente e mais normal do mundo”, sublinhou, lembrando que a meta que o Governo quer atingir é a de reutilizar 10% do esgoto tratado até 2025 e 20% até 2030.

Outra das soluções que defende para combater a falta de água, a longo prazo, deve ser estudada e equacionada a construção de estações de dessalinização de água do mar, um processo caro, mas viável para garantir água para consumo humano e que já é utilizado, por exemplo, em Espanha.

“Em Portugal só há dois territórios onde possam existir, do ponto de vista técnico, esqueçamos para já a dimensão financeira, dessalinizadoras: em alguns dos grandes estuários, com rias na costa atlântica, ou no mar do Algarve”, referiu, sublinhando que esta solução só faz sentido “no pressuposto de não ter que aumentar a tarifa que é cobrada às pessoas”.

Contudo, frisou, embora a utilização de água dessalinizada para rega não seja economicamente viável – no Alqueva é vendida a 3 cêntimos o metro cúbico e a água dessalinizada custaria pelo menos dez vezes mais (30 cêntimos por metro cúbico) – para o consumo humano, esse valor é “absolutamente encaixável”.

O contrato de concessão por 30 anos com o Estado português prevê um investimento, ao longo desse período, de 300 milhões de euros, na sua maioria para a manutenção e substituição de infraestruturas.

A Águas do Algarve assegura o abastecimento de água para consumo humano e o tratamento de águas residuais nos 16 municípios do distrito de Faro.

com Lusa

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