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Desde as origens do cinema, os produtores e realizadores cinematográficos apostaram na adaptação de temas bíblicos, dando origem a um género que é hoje indissociável do cinema clássico.

Cedo a Industria cinematográfica revelou uma particular apetencia para a adaptação de romances históricos centrados em personagens fictícias que viviam no tempo de Cristo, e cujas vidas eram por Ele de algum modo transformadas.

Esta tendência começa a desenhar-se no primeiro grande filme bíblico da história do cinema, “Qvo Vadis”, uma adaptação da obra literária do escritor polaco Henryk Sienkiewicz.

Produzido em Itália em 1913, “Qvo Vadis”, tornar-se ia um verdadeiro fenómeno de popularidade, influenciando decisivamente a indústria americana de cinema.

Com o progressivo desenvolvimento das técnicas e estruturas de produção cinematográficas e o aumento da popularidade do cinema enquanto forma de entretenimento, a década de 1920 assistiu ao lançamento de um número considerável de produções bíblicas.

Em 1922, Michael Curtiz, realiza a primeira versão de “Sodoma e Gomorra”, uma produção inglesa que obteve grande êxito junto do público europeu, abrindo as portas de Hollywood ao jovem realizador húngaro. Com efeito, Curtiz voltaria ao género em 1928 com “A Arca de Noé” produzido pela Warner Brothers, estúdio para o qual continuaria a trabalhar até ao início da década de 1950, assinando clássicos como “As Aventuras de Robin dos Bosques” e “Casablanca”.

Em 1923, Cecil B Demille, um dos pioneiros do cinema norte-americano, quebrou a regra das adaptações literárias de romances históricos e realizou os “Os Dez Mandamentos”, uma super-produção que impressionou os espectadores da época pela dimensão dos cenários e o uso de efeitos especiais nunca antes vistos.

Em 1927, Demille regressou ao género bíblico, desta vez com, “O Rei dos Reis”, uma super-produção que pela primeira vez se propunha narrar cinematograficamente a vida de Jesus Cristo.

Protagonizado por H.B Warner, no papel de Jesus, “O Rei dos Reis” foi o primeiro filme a utilizar com valor estético um ainda primitivo processo de fotografia colorizada. A introdução da cor na cena da ressurreição de Cristo, tinha como objectivo único, representar simbolicamente o impacto profundo deste acontecimento na história da humanidade.

Entre os dois clássicos assinados pelo mestre Cecil B. Demille, situa-se uma outra obra fundamental do género bíblico. Trata-se da segunda versão muda de Ben-Hur, produzida em 1925 pela MGM, com realização de Fred Niblo. O filme, que adaptava a popular obra literária do General Lew Wallace, “Ben-Hur: A Tale of The Christ”, foi um dos maiores êxitos de bilheteira da década. Famoso pelos imponentes cenários, a batalha marítima e a corrida de quadrigas, Ben-Hur (1925) ajudou a consolidar o prestígio da Metro- Goldwyn- Mayer entre os amantes do grande cinema espectáculo.

A introdução do cinema sonoro no final dos anos 20, com as dificuldades técnicas que acarretou, aliadas à grande depressão económica dos anos 30 e ao início da Segunda Guerra Mundial, resultaria no declínio da produção de filmes bíblicos. Contudo, no final dos anos 40, Hollywood voltou a ressuscitar o cinema Bíblico, que viveria então uma segunda idade de ouro.

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