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Queremos, hoje, iniciar esta reflexão citando parte do n.º 10 da Constituição pastoral sobre a Igreja no mundo actual (Gaudium et Spes) que diz assim: «Perante a evolução actual do mundo, cada dia são mais numerosos os que põem ou sentem com a nova acuidade as questões fundamentais: Que é o homem? Qual o sentido da dor, do mal e da morte, que apesar do enorme progresso alcançado, continuam a existir? Que há para além desta vida terrena?»

De facto, são perguntas pertinentes sobretudo as que se referem ao sentido da dor, do mal e da morte.

A este propósito, a imprensa madrilena publicou, aqui há anos, um inquérito efectuado, em França, a um grupo de médicos a quem foi feita esta pergunta: «Deve-se revelar ao doente a sua morte próxima?».

Dos 135 médicos inquiridos 15% responderam afirmativamente, 30% negativamente, e 55% punham em dúvida a conveniência da revelação.

É de salientar também uma nota curiosa, pois, dos 135 inquiridos, 133 deles declararam que desejavam ser informados quando se encontrassem naquela situação.

Se por um lado, a morte é um fenómeno que podemos iludir, pelo outro é uma realidade que não podemos evitar.

A sociedade moderna, a sociedade consumista procura dissimular a morte ou reduzi-la a um facto biológico sem sentido.

Porém, para os cristãos, para os que têm fé «a vida não acaba apenas se transforma».

Sem dúvida que a morte biológica, a morte temporal é um aspecto importante da vida, contudo, não é toda a vida ou a vida toda.

De um modo geral a certeza da morte gera quase sempre uma certa tristeza contudo, o cristão sente o conforto da garantia de imortalidade dada por Jesus Cristo.

Também não devemos esquecer que o homem é um ser para a vida e não um ser para a morte como defendem certas orientações filosóficas…

O nosso mistério, o mistério do homem esclarece-se no sentido no mistério do Verbo Incarnado, nosso Senhor Jesus Cristo, o Salvador e Redentor único da humanidade.

Por isso, como afirma a «Gaudium et Spes» no seu número 21: se faltam o fundamento divino e a esperança da vida eterna, a dignidade humana é gravemente lesada e os enigmas da vida e da morte, do pecado e da dor ficam sem solução, levámos os homens tantas vezes ao desespero».

De qualquer maneira, para nós cristãos temos a palavra de Cristo, que nos tranquiliza, nos conforta e nos dá a esperança, quando no Evangelho de S. João nos diz: «Eu sou a ressurreição e a Vida; quem crê em Mim ainda que esteja morte viverá; e todo aquele que vive e crê em Mim nunca morrerá».

Joaquim Mendes Marques

O autor deste artigo não o escreveu ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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