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Vivemos num Mundo onde o indiferentismo religioso é promovido. O Agnosticismo (e até uma ausência completa de qualquer interrogação religiosa), para além de ser uma moda vigente, é promovido em vários quadrantes das nossas sociedades multiculturais, multirraciais e multirreligiosas. Na generalidade dos casos, quem assume publicamente a sua identidade religiosa, como sendo parte integrante da sua vida, é olhado de lado e alvo de um preconceito que imediatamente o liga ao fanatismo religioso.

Estamos a entrar numa época onde se aceita com mais tolerância a afirmação da escolha da condição sexual homossexual, do que a afirmação da Identidade religiosa de um crente, que vive segundo a Fé ou o Credo que pautua a sua vida. Está intolerância e incompreensão para com a identidade religiosa do crente tem a suas implicações na forma como nos relacionamos uns com os outros. A mais importante e saliente dessas implicações é a incompreensão e desrespeito por todos os símbolos religiosos das várias religiões. Para quem tem Fé, um símbolo religioso é uma forma de afirmar a sua identidade religiosa no Mundo. Perante os outros, através de um símbolo exterior, mostramos os valores que orientam a nossa vida, mas para quem vive num profundo indiferentismo religioso, qualquer símbolo religioso pode não passar de um objeto que supostamente mostra o fanatismo religioso de alguém. Quando não se sabe, não se conhece, vive-se na ignorância. E a Ignorância leva ao preconceito e ao medo do desconhecido.

Quando os soldados americanos queimaram os vários exemplares do Alcorão no Afeganistão, provavelmente nem sequer se lembraram que estavam a queimar uma parte essencial da identidade daquele povo. De acordo com as primeiras informações recolhidas, os livros terão sido queimados numa incineradora de uma base militar americana do Afeganistão. Os militares terão dito que esses exemplares do livro sagrado serviam para passar mensagens entre os detidos na base. É claro, que podemos dizer que se o Alcorão é um livro sagrado não devia servir para o envio indevido de mensagens entre presos, mas também não é por um cristão utilizar mal a Bíblia Sagrada, que ela perde o seu valor como Palavra de Deus, para nós Cristãos. Há que, sobretudo neste casos, agir com sensatez e respeito pela fé do outro e os soldados americanos não o souberam fazer. Provavelmente, digo eu, porque não foram educados para o respeito da identidade religiosa de cada povo.

Pe. Miguel Neto
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