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É deveras agradável e consolador recordar que há mais de duas décadas, a nível mundial, se estabeleceu um movimento contrário à existência de lares e asilos para idosos.

De facto, era e é bem triste o que acontecia e acontece por esse mundo além, a respeito das pessoas quando, já gastas e após uma vida de luta, de privações e sacrifícios eram e são ainda, em muitas partes arrumadas, tratadas como autênticas máquinas ferrugentas ou peças de uma engrenagem que se tornou obsoleta ou mesmo até como uma espécie de lixo de que todos se querem ver livres…

Sem dúvida que esta atitude traduz a perca completa da vocação da dignidade da pessoa humana que, em circunstância alguma, deve ser esquecida.

Graças a Deus, actualmente, já, em muitos países, se aplica um novo regime que nos parece ideal e que deveria ser generalizado e incrementado em todo o mundo.

O referido regime consiste, precisamente, no estabelecimento de um serviço especial de assistência de modo que as pessoas idosas e as acamadas sejam assistidas por técnicos de saúde nas próprias casas da família de onde não devem ser removidas, a não ser em casos de tratamentos especiais.

Isto significa que é no ambiente familiar que os velhos devem permanecer até ao fim, com os devidos socorros que os técnicos e especialistas lhes proporcionam.

As vantagens deste sistema são incalculáveis, de todos os pontos de vista.

Depois de experiências realizadas, alguns países acabaram por adoptar e estabelecer este regime que, além do mais, até economicamente lhes traz grandes vantagens.

Apontaremos apenas aqui o que, há duas décadas, a Itália projectou e que se pode sintetizar deste modo: «toda a família que tenha pessoas idosas ou acamadas em casa, beneficiará de vantagens económicas como isenções fiscais, rendas de casa mais barata, licenças extraordinárias de horário de trabalho e muitas outras regalias e benesses.

Todo este projecto assenta naquele acertado princípio de que os velhos, de um modo geral, são mais bem tratados em casa do que fora e, por isso, só em casos graves deveriam ser internados.

Aí temos, pois, a razão de se concederem às famílias que cuidam dos seus idosos, aquelas vantagens acrescidas ainda de outras ajudas no campo médico – medicamentoso.

Quer isto dizer concretamente que as famílias podem recorrer a centros de saúde onde são atendidas por um «médico de cabeceira», enfermeiros, técnicos de reabilitação, assistentes sociais e outros especialistas e aonde inclusive poderão levar o paciente por umas horas ou por um dia a fim de fazer exames, análises e algum tratamento mais especializado que não possa ser feito em casa.

Com este projecto o governo italiano conseguiu não só diminuir a despesa com a assistência aos velhos e acamados como também resolver o problema de libertar muitas camas em hospitais e lares.

Como vemos, todo este sistema está enformado de uma ideia humanistas que no fim de contas, leva até, muitas vezes, ao prolongamento da vida de muitos idosos.

No fundo, este sistema que advoga a permanência dos idosos no seio de suas famílias está na linha do amor cristão porque, vistas bem as coisas, não há hospital nem casa de saúde por mais luxuosa que seja que possa substituir o carinho do lar onde cada um nasceu e foi criado e normalmente deveria morrer.
Daí o podermos concluir que este sistema é, por todos os motivos, de apoiar e incrementar em Portugal corrigindo-o e adoptando-o, como é evidente, ao caso e à circunstância portuguesa.

Joaquim Mendes Marques

O autor deste artigo não o escreveu ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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