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Em todas as épocas mas de um modo especial no nosso tempo, o problema do mal no mundo preocupa e, às vezes, até causa revolta a muita gente que por nós se cruza nos caminhos da vida.

De facto, este é, sem dúvida, um velho problema da Filosofia e das religiões.
É um facto incontroverso: o mal está no Mundo, e o Mundo não se desembaraça dele!

E é também incontroverso que o homem tem uma larga responsabilidade nele, muito embora haja males que se furtam à responsabilidade do homem, tal o caso de tragédias climatéricas e telúricas, genéticas e muitas outras…
Perante tudo isto dizem muitos: Deus não existe, não pode existir porque há o mal no Mundo e se Deus é bom não pode permitir…

E de seguida atacam a religião católica que apresenta ao Mundo a existência de um Deus infinitamente bom e misericordioso.

Ora a atitude de quem pensa do modo referido, é não só uma atitude de puro ateísmo como de um grande equívoco no alvo desses ataques, porque não é contra a religião que se têm de lançar, mas contra a doutrina segundo a qual o reino de Deus se encontrará e realizará plenamente na Terra.

Como sabemos, o cristianismo, desde sempre, nunca defendeu que o objectivo da criação fosse para o homem se instalar num conforto e num bem estar e num prazer sem limites e na ausência de sofrimentos neste mundo. Até a morte para o cristianismo não é um mal irremediável, nem uma fatalidade ou aniquilamento, mas é uma passagem para o outro lado da vida que transformada, sem dúvida, continua numa participação da vida divina que Jesus Cristo pela Sua Paixão, Morte e Ressurreição nos conquistou.

Mas esta realidade só se atinge e só se vê com os olhos da Fé. São, precisamente, esses olhos de fé que faltam a todos os que negam ou procuram negar a existência de Deus por causa da existência e do escândalo do mal no Mundo.

Realmente, temos que convir que a questão não é fácil nem qualquer resposta possa ser simples e satisfatória. Contudo, a mensagem cristã sabe dar uma resposta certa a tão doloroso e misterioso problema.

Sim, é, precisamente o conjunto da fé cristã, como afirma o Catecismo da Igreja Católica, que constitui a resposta certa a esta questão: "a bondade da Criação, o drama do pecado, o amor paciente de Deus que vem ao encontro do homem pelas suas alianças, pela Encarnação redentora de seu Filho, pelo dom do espírito, pela agregação à Igreja, pela força dos sacramentos, pelo chamamento à vida bem-aventurada, à qual as criaturas livres são de antemão convidadas a consentir, mas à qual, podem, também de antemão, negar-se, por um mistério terrível".

Isto quer dizer que "não há nenhum pormenor da mensagem cristã que não seja, em parte, resposta ao problema do mal".

É certo também, como diz S. Tomás de Aquino, que Deus podia, no seu poder infinito, ter criado um mundo melhor. Contudo, na sua sabedoria e bondade infinitas Deus quis criar um mundo em "estado de caminho", onde a par do bem físico existe o mal físico, enquanto "a Criação não tiver atingido a perfeição".

Quanto ao mal moral, imensamente mais grave que o mal físico, ele existe e resultou do mau uso da liberdade, por isso também, neste caso, Deus nem directa nem indirectamente é causa do mal moral. Permite-o e misteriosamente até sabe tirar dele o bem…

Em síntese, podemos concluir como o Catecismo da Igreja Católica: a permissão divina do mal físico e do mal moral é um mistério que Deus esclarece por seu Filho Jesus Cristo, morto e ressuscitado para vencer o mal. A fé dá-nos a certeza de que Deus não permitiria o mal, se do próprio mal não fizesse sair o bem, por caminhos que só na vida eterna conheceremos plenamente.

O autor deste artigo não o escreveu ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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