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Quando as coisas são a doer, quando mexem com as finanças públicas e com o crédito internacional do País, o Primeiro-Ministro Sócrates, com o impulso institucional do Presidente da República e o apoio dos grandes empresários, banqueiros e quejandos, vira-se para os Partidos situados à sua “direita”, quase como se eles tivessem a obrigação de lhe aprovar o Orçamento de Estado. O mesmo se diga quando se tratam de questões relacionadas com a Defesa Nacional, os Negócios Estrangeiros, a União Europeia, os compromissos externos e o prestígio de Portugal no mundo. Nada a opor a que assim seja e que Partidos responsáveis, como se espera que sejam, o PSD e o CDS, viabilizem no parlamento o Orçamento e as grandes opções do País nas matérias mencionadas, assim se compreendendo e aceitando que o Presidente da República e o Primeiro Ministro façam apelo ao “sentido de Estado” de tais Partidos.

O ponto é saber se o Primeiro-Ministro Sócrates e o Partido Socialista que o apoia tem algum sentido de Estado quando se tratam de questões não menos importantes que as Finanças Públicas, as Relações Externas, a Defesa Nacional e a União Europeia; saber se quando se tratam de matérias que mais, muito mais do que questões de Estado, são questões civilizacionais, o Senhor Sócrates tem algum sentido de responsabilidade, alguma dignidade de Estado, alguma ponderação ético-jurídica das questões em causa, ou se pelo contrário prefere alinhar com o folclore alegrista e irresponsável da extrema esquerda e de grupos ultra-minoritários da sociedade que se comportam à porta do Parlamento como saltimbancos de feira, bobos e palhaços de circo. Note-se que os palhaços no circo, tem o seu lugar próprio e exercem profissionalmente a sua função para alegrarem as crianças e as famílias, mas aquelas criaturas da extrema-esquerda folclórica e do “orgulho gay” que vão para a porta da Assembleia da República simular casamentos e cenas semelhantes, nem sequer dignificam a causa e as pretensões das pessoas homossexuais, contribuindo antes para ridicularizar e menorizar situações e opções que merecem respeito e não devem ser confundidas com palhaçadas.

Confrontado com uma proposta, tolerante, responsável e prudente, que lhe foi apresentada por um dos Partidos à sua “direita” para resolver as questões legais e patrimoniais das uniões de pessoas do mesmo sexo, que é a proposta da criação de um novo instituto jurídico designado “união civil registada”; proposta que teria o mérito de salvaguardar o instituto do matrimónio para a sua finalidade natural que é a união de duas pessoas de sexo diferente e que resolveria sem mais problemas constitucionais a questão da adopção, pois não estaríamos perante um casamento e a questão nem se colocaria, o Senhor Sócrates preferiu sem sequer discutir e ponderar tal hipótese, alinhar com a extrema esquerda parlamentar para fazer aprovar o impropriamente chamado casamento de pessoas homossexuais. Numa questão tão sensível, numa questão de natureza civilizacional, o Senhor Sócrates demonstrou não ter qualquer sentido de Estado, qualquer sentido de responsabilidade, pois aliou-se justamente àqueles que agora acusa de não terem sentido de Estado por não lhe viabilizarem o Orçamento e se vira para aqueles que desprezou e ignorou fazendo apelo ao seu sentido de Estado para que lhe viabilizem o Orçamento!

Quem assim age não tem na verdade qualquer sentido de Estado, não é merecedor de qualquer crédito por parte de quem seja minimamente responsável. Aliás, quem sabe como o Primeiro-Ministro sabe e tem obrigação de saber que o País está endividado praticamente ao nível de 100% do PIB, é profundamente irresponsável e não tem qualquer sentido de Estado insistir na construção da terceira auto-estrada Lisboa-Porto, na construção do TGV e de outras obras faraónicas, que só vão aumentar o despesismo.

Sentido de Estado precisa-se a todos os níveis da Administração pública, mas especialmente ao nível da chefia do Governo.

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