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“Once is a lifetime” é o título de uma música dos “Talkings Heads“, grupo norte-americano, já extinto, mas que obteve grande sucesso nas décadas de 70, 80, devido ao facto de juntar uma alegre sonoridade pop e punk, com umas letras, por vezes, sarcásticas e bem humoradas.

É o caso de “Once is a lifetime”. Nesta música, o referido grupo ridiculariza o facto de não sermos felizes com aquilo que temos, sobretudo com as nossas pequenas coisas. Brinca com o facto de passarmos a vida a ambicionarmos sempre mais, em vez de olharmos para o que temos e vivendo o que temos, sermos felizes assim.

“Uma vez na vida”, poderá ser a tradução não oficial e mais literal do título desta música. Mas, na verdade, ela fala sobre oportunidades perdidas e, consequentemente, de vidas perdidas. Fala-nos do paradoxo que nos traz a concretização do que imaginamos que nos faria feliz.

De facto, este é um tema recorrente na nossa vida: olharmos para os outros e acreditarmos que apenas somos felizes com o que não temos, alegres com o que não possuímos, tranquilos com a felicidade que não é nossa. Esperamos no impossível da nossa existência, crentes que, unicamente naquilo que não temos, residirá tudo o que nos fará livres. A Esperança de termos o que não temos alimenta-nos até termos o que queríamos. Lá chegados ficamos vazios.

Não era assim tão importante, não nos deixou mais felizes, nem mais alegres, apenas mais dependentes de uma série de “coisas” que, lentamente, nos foram aprisionando Afinal não me serve, afinal não queria, afinal fiquei só…
Por vezes, até sem mim…

Talvez a crise económico-financeira que vivemos seja mais profunda por isto mesmo, por não termos sabido colocar a nossa esperança em Quem devíamos, mas no que não devíamos, o que torna o nosso sentimento de absoluta perda mais profundo do que pensaríamos.

Seguramente muitos pensarão que este não é o tema de uma reflexão antes de férias, ou, talvez seja o verdadeiro tema.

As férias são um tempo de encontro connosco e com Deus. Tenhamos a capacidade de sabermos olhar para nós e colocarmo-nos a pergunta, verdadeiramente fundamental: “O que faço com a minha vida, com essa única e irrepetível vida, onde hoje tudo foi passado e será futuro?” “Once in lifetime”, como que a recordar que nada se repete e o tempo é algo que se esgota se não soubermos escolher bem!

Votos de Boas férias e votos de bom encontro!

Miguel Mário Neto
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