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“ONDE ESTÁ, Ó MORTE, A TUA VITÓRIA?”

Todos os anos, no dia 2 de Novembro, a nossa Mãe, a Santa Igreja, recorda e sufraga os fiéis defuntos que são todos os que partiram na graça de Deus mas que necessitam de se purificarem completamente para poderem ingressar definitivamente na felicidade eterna e perfeita comunhão com Deus.

Ao recordarmos todos os irmãos que foram à frente, devemos pensar nesse grande mistério de morte que, no fim de contas, visto só à luz da razão é, sem dúvida, insuportável. Contudo, segundo a luz que nos dá Cristo, a morte não é fim, é apenas passagem.

É certo que para muitos homens e mulheres do nosso tempo existe o temor e a angústia de que tudo acaba para sempre. A esta conclusão os leva a filosofia existencialista reflectida nas mais variadas expressões literárias e cinematográficas…

É certo também que, como afirma o Concílio Vaticano II na Gandium et Spes, o homem recusa a ruína total e fracasso definitivo da sua pessoa… e insurge-se contra a morte».

De facto, é diante da morte e do futuro eterno que o homem se sente mais perdido…

De qualquer modo, convém pensar que a morte é, digamos assim, fim de uma etapa e não final de prova… Mesmo que a aceitemos como castigo de pecado, para o cristão nunca lhe poderá tirar o gosto de viver para louvar e reverenciar a Deus nosso Criador e Senhor e servir os nossos irmãos…

Assim, podemos dar sentido à vida assim podemos compreender, de certa maneira, o mistério da morte.

E mais: para quem tem fé, a morte é um encontro maravilhoso com Cristo, pois, foi Ele que derrotou a morte, quando depois de ter sofrido o suplício da Cruz, foi sepultado ressuscitando ao terceiro dia. Subiu ao céu, sem dúvida, mas quis continuar vivo entre nós até ao fim dos tempos, exercendo sempre a Sua divina influência como pessoa…

Queiramos nós encontrá-Lo, pois, de vários modos O podemos descobrir quer na Sagrada Escritura, quer na pessoa dos homens e mulheres sobretudo dos mais pobres, doentes e desvalidos como sobretudo na presença real na Eucaristia.

De facto, é um grande privilégio podermos visitar o Ressuscitado, penhor da nossa futura ressurreição, em qualquer sacrário das nossas Igrejas. Pela fé, sabemos que Ele se encontra ali vivo, real embora despojado não só da Sua humanidade como também da Sua divindade, mas está sempre à nossa disposição, podemos falar com Ele, desabafar as nossas mágoas, confessar-Lhe as nossas dúvidas, enfim, adorá-Lo e louvá-Lo.

Ele venceu a morte, nós com Ele e por Ele também a venceremos, pois, garantiu-nos: se com Ele vivermos e padecermos também com Ele seremos glorificados. Por isso, com S. Paulo podemos exclamar: “Onde está, ó morte, a tua vitória?”

Joaquim Mendes Marques

O autor deste artigo não o escreveu ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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