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Oposição da Câmara de Castro Marim diz que demissão do presidente demonstraria a sua “incapacidade”

A oposição na Câmara de Castro Marim considerou na terça-feira que o presidente do município, Francisco Amaral (PSD), reconheceu a sua “inabilidade” e “incapacidade” para governar em minoria, ao admitir uma demissão para provocar eleições intercalares para esse órgão municipal.

Francisco Amaral disse na terça-feira que a sua lista deve apresentar a demissão até ao início de fevereiro para que se possam realizar eleições intercalares para a Câmara de Castro Marim em abril, antes das Europeias de 26 de maio, por considerar que a sua gestão está a ser “bloqueada” pela oposição do PS e do movimento independente Castro Marim Primeiro (CM1), considerando a situação “insustentável”.

Mas tanto a vereadora Célia Brito, do PS, como o único eleito do CM1, José Estevens, consideraram que a intenção manifestada pelo autarca demonstra que não está a saber lidar com a perda de maioria absoluta ditada pelos resultados das últimas eleições.

O PSD venceu as autárquicas de outubro de 2017 em Castro Marim, mas ficou em minoria, após perder um vereador para o CM1, que passou a ter um papel importante no desempate entre os dois eleitos social-democratas e os dois do PS.

A vereadora socialista Célia Brito disse à Lusa que a notícia da demissão do presidente foi “uma novidade” e o PS “estranha essa atitude” da parte de uma pessoa que sempre viu a oposição aprovar os projetos considerados mais importantes para o concelho.

“Nada levava ou conduzia a isso, apesar de o senhor presidente dizer que não consegue governar, isso não corresponde à verdade”, afirmou Célia Brito, negando o argumento de Francisco Amaral de que existe um “bloqueio” à sua gestão por parte de toda a oposição e considerando que “em democracia também é possível governar em minoria”.

Também José Estevens, vereador do CM1, ex-militante do PSD e antecessor de Francisco Amaral na presidência da Câmara de Castro Marim, afirmou que o argumento do autarca “não é de todo verdade, porque nunca viu um orçamento chumbado e não houve nenhum instrumento fundamental para a gestão municipal que não tivesse sido votado pela Câmara”.

“Agora, este quadro em que a Câmara está obriga o presidente a um recorte de democracia mais fina, obriga-o a dialogar um pouco mais, mas ele não é pessoa que gosta de dialogar, gosta do ‘quero, posso e mando’ e não gosta de justificar os seus atos”, considerou José Estevens.

O vereador do CM1 não ficou “surpreso de todo” com a notícia, porque sempre pensou que Francisco Amaral “podia ensaiar um dia esta solução”, mas lamentou que o próprio autarca demonstre “não ser capaz, não querer ou não admitir que tem de fazer gestão rigorosa, parcimoniosa e em diálogo com a oposição”.

Se Francisco Amaral já manifestou a intenção de se recandidatar no caso de haver eleições intercalares para a Câmara do distrito de Faro, a vereadora do PS e o representante do CM1, que encabeçaram as respetivas listas nas últimas eleições, mostraram-se mais cautelosos quanto a essa possibilidade.

Célia Brito disse que “não vira a cara a luta” e mostrou-se disponível para repetir a candidatura, mas só se o partido e os apoiantes considerem que é a melhor posicionada para procurar esbater agora as escassas dezenas de votos que a separaram da lista do PSD nas últimas eleições.

José Estevens disse continuar com vontade de representar os castro-marinenses, por se manterem os pressupostos da sua candidatura independente em outubro de 2017, mas sublinhou que é necessário analisar todas possibilidades com os restantes elementos do CM1, porque se trata de um movimento, financiado pela sociedade civil, e “é difícil sustentar um ato eleitoral de ano a ano”.

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