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“OS ALTOS E BAIXOS DE UM CAFÉ FAMOSO

O jornalista holandês, Roel Pluim, acaba de publicar em Blik op Portugal um estudo sobre o café Aliança, de Faro, seguindo na classificação de o terceiro café mais antigo de Portugal, de Beroemd Café (Café famoso) numa tradução livre, assim como o título: Os altos e baixos de um café famoso (Opkmost en ondergang van een beroemd café).

Roel Pluim, tanto como o alemão Rainer Horbelt (Café Aliança – Seine Fotos, Seine Geschichte) ou o inglês John Russell (Café Aliança Its Photos-Its History), entre outras figuras do quadrante mundial sempre mostraram opiniões do maior elogio sobre o nosso histórico café. E, sobre isso, que têm feito os senhores responsáveis pela cidade de Faro: Autarcas, Políticos, Cidadãos? Lembramos, quando nas comemorações do centenário (2008) do lendário café, altas figuras da política da cidade: Deputados, Autarcas, Governo Civil, Figuras da Cultura pronunciaram-se, perante o público, aplaudindo, a garantia de que o Café continuaria aberto, cumprindo o espaço secular como património da cidade.

Como sempre, ou quase sempre, a voz política (em Portugal) leva-a o vento, no dizer sábio do povo.

Não posso deixar de reconhecer a persistência da Arquitecta Conceição Pinto, nessa vontade e autoridade, quando Directora de Departamento de Cultura e Património da Câmara Municipal de Faro, em levar junto do Ministério da Cultura do Governo de Portugal, e do apoio do Director de Cultura do Algarve, Gonçalo Couceiro, em classificar o Café Aliança de Interesse Público da Cidade de Faro – Portaria n.º 373/2007, de 30 de Março/2007, como Património de uma Memória Colectiva.

Já o importante pensador europeu, George Steiner afirmava convicto das suas palavras, no livro publicado “A Ideia da Europa, no velho continente, é feita de cafetarias e cafés”.

Quando, em Fevereiro de 2009 o café Aliança foi encerrado por decisão judicial, ninguém se moveu a resolver o contencioso. Fechou e acabou-se! Havia e há, uma lei a cumprir, emanada pelo Governo português. Há o interesse privado? Há! E o interesse público? É, pela circunstância e pela dilatação do tempo, sem consenso das partes que nos leva a colocar dúvidas.

Lembro da intervenção do então primeiro-ministro Cavaco Silva, em 1989, a sua posição de político sobre o caso Café Martinho, de Lisboa, evitando o seu encerramento. Justificou-se que Fernando Pessoa fora seu cliente, etc, etc. O caso é que o centenário café do Terreiro do Paço está em continuidade, com todo o reconhecimento. Já, na cidade do Porto, o presidente da Câmara Municipal da Invicta, Rui Rio, se opôs ao encerramento do conhecido café popular “O Piolho”. E este sem ser classificado. Mas sendo um café portuense e de tradição, desde os anos trinta do século passado.

É por isso que chamamos toda a atenção ao nosso centenário café Aliança, por onde as celebridades europeias, e não só. Até Fernando Pessoa passou pelo Aliança no período do “Futurismo” português, aqui iniciado na cidade de Faro, entre 1916/17.

O cidadão holandês Roel Pluim estudou o Aliança, um café no contexto da cultura e política europeias, apelidao de Famoso; não só pela gente famosa que o percorreu, que o admirou, que o viveu. O jornalista e escritor holandês tomou nota da importância dalguns acontecimentos artísticos que o marcaram no melhor sentido da vida citadina e clientela europeia: Wat eraan vooraf ging, Culturele ontwikkeling, Discussies en jazz, De ondergang. Roel documentou-se sobre um século da política, da cultura, dos acontecimentos passados e vividos, por anos ou por momentos, de gentes vários que aqui, por circunstâncias, tiveram o Aliança, revivendo os cafés das suas naturalidades ou das suas estadias, revivendo por Faro, desde o Aliança, os seus Cafés de la Paix, du Dôme,etc, ( Paris); o Café Tomaselli (Salzburg), ou o Griensteidl (Vienna); o Slavia (Praga), etc.

Devemos agradecer, reconhecendo nessa gente famosa, ou não tanto, a oportunidade da leitura, vinda de gente com um sentimento por uma causa nossa, e que nós passamos à margem do Beroemd café Aliança.

Teodomiro Neto

O autor deste artigo não o escreveu ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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