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Hoje, mais do que nunca, pululam os analistas, sobretudo os analistas de cariz político.

Pontificam na imprensa, na rádio, na televisão, enfim, em toda a nossa comunicação social.

Há-os de esquerda, da direita, do centro, com saber profundo da matéria, os superficiais e os de nenhum saber.

Cada qual defende a sua tese, porventura a mais dispare, sobre a política e os políticos.

Dizem alguns que o verdadeiro político (no sentido desses tais analistas), não pode ser sério, nem rigoroso, nem honesto, nem ponderado e nem competente.

A pés juntos, afirmam outros que sim senhor, que o verdadeiro político pode não ser sério, mas isso não quer dizer que seja falso, pode não ser competente mas mantém, pelo menos, o culto da aparência, aliás, a perspicácia substitui muitas outras qualidades inerentes à noção de verdadeiro político, como outros também afirmam.

No fim de contas, nós, os governados, os cidadãos comuns somos uns pobres coitados que andamos confusos, porquanto pensávamos que os políticos eram todos designados por critérios de verdadeira competência, que até ocupavam estoicamente os seus cargos e desempenhavam as suas funções por terem sido escolhidos pelo povo e não porque eles, alguma vez, se julgassem os melhores!…

Andarão errados os nossos esquemas mentais? Teremos de os modificar? Ou, então, teremos que admitir como certa a definição de política como a ciência, ou a arte do espectáculo, ou a arte do malabarismo?!…

Alguns chegam a dizer que nisto de espectáculo e de malabarismo político até levamos a palma aos Estados Unidos da América que é, sem dúvida, o país paradigmático neste sector.

E aí estamos nós a ouvi-los alto e em bom som: que em política não interessa demonstrar, mas sim repetir, não interessa analisar, mas publicitar e propagandear.

Então chovem os «slogans» concebidos e executados com as mais sofisticadas técnicas…

E, infelizmente, quantos de nós somos vítimas de toda essa propaganda! É que tanto os menos como os mais cultos não resistem ao ataque e são dominados pelo universo imediato e das aparências. E porquê?

Por muitas e variadas razões incluindo, certamente, a pouca disposição que tantas vezes se sente para a leitura, por exemplo, de um artigo de jornal ou de revista, preferindo antes ler os cartazes de propaganda ou ouvir as vozes inflamadas dos tais políticos que vibram espectacularmente nas sessões de esclarecimento e nas campanhas eleitorais…

De quando em vez, lá surge um daqueles analistas mais lúcidos a escalpelizar o fenómeno e a esclarecer os cidadãos.

É nessa altura que, realmente, alguns de nós caem na conta de que a verdadeira política e os políticos autênticos nada têm a ver com os malabaristas, os troca-tintas e os charlatães.

Os políticos verdadeiros são aqueles que se entregam de alma e coração ao serviço de todos os seus concidadãos, sem arrogância nem prepotência de qualquer espécie.

Que põem a «coisa pública» e o bem comum acima de todos os interesses pessoais. Que realizam mais do que falam e que, numa palavra, cumprem, até ao sacrifício, a missão para que foram escolhidos e eleitos pelo povo.

O analista politico que sabe da matéria, a tudo deveria estar atento e, deste modo, tanto denuncia os pseudo-políticos e as suas artimanhas, como louva e aplaude aqueles que, realmente, pelas acções que levam a efeito e pelo seu comportamento impoluto merecem o epíteto de Políticos.

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