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Paço Episcopal de Faro vai abrir as portas ao público

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

A Diocese do Algarve vai abrir ao público as portas do Paço Episcopal de Faro para visita das principais salas do edifício que constitui um dos edifícios mais representativos da Arquitetura Chã no Algarve.

A intenção tinha sido anunciada pelo bispo D. Manuel Quintas em novembro passado durante a inauguração da “Exposição para a Difusão do Conhecimento – Núcleo Histórico da Imprensa de Gutenberg e do Pentateuco de Faro” patente na antiga capela do Paço Episcopal.

Na altura, o prelado afirmou que aquele edifício é um “testemunho vivo da atenção dos bispos desta diocese à promoção da cultura e à valorização do espaço urbano da cidade, contribuindo para fazer do largo da Sé o espaço nobre, o seu ex-libris”.

A cerimónia de abertura do Paço Episcopal ao público será realizada no próximo dia 11 de abril, pelas 19h.

Nos últimos meses, o edifício tem estado em obras de restauro ao nível da caixilharia e do gradeamento das janelas das fachadas principal no largo da Sé e lateral na rua do Município. Os pavimentos foram também recuperados e a abertura ao público tem estado a ser preparada com o apoio de uma equipa técnica do Museu Municipal de Faro.

A construção do Paço Episcopal durante o bispado de D. Afonso Castel-Branco (1581-1585) dá-se no contexto da transferência da sede do bispado do Algarve de Silves para Faro, em 1577, que foi um ponto de viragem na história cidade.

Após o terramoto de 1755, o edifício foi reedificado e ampliado, por D. Frei Lourenço de Santa Maria (1752-1783), destacando-se no seu desenho, os telhados de quatro águas e o portal. O interior, que suscita muita curiosidade de turistas, mas também de muitos algarvios e residentes no Algarve, tem no seu conjunto de azulejos do século XVIII um dos elementos de maior riqueza que se estende do átrio pela escadaria às salas do primeiro andar, revelando aqueles últimos uma enorme riqueza cromática.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O público visitante entrará pela porta principal do edifício, podendo admirar o átrio e também o painel alusivo à virtude teologal da caridade na sala à direita.

No patamar de descanso das escadarias de acesso ao piso nobre, os visitantes poderão admirar o painel das virtudes, tardo-barroco, alusivo às cinco virtudes representando a Prudência, a Fé, a Esperança, a Justiça e a Fortaleza; a coroar a composição, o brasão do bispo D. Frei Lourenço de Santa Maria ladeado por dois anjos.

As três salas superiores irão ter a designação de “Sala da Unidade da Igreja” (primeira), “Galeria dos Bispos” (segunda) e “Antiga Sala do Trono” (última). A diocese explica que a denominação da primeira foi atribuída porque o espaço exprime, num período histórico conturbado (1750-1777), o empenho do bispo D. Frei Lourenço de Santa Maria em reafirmar a comunhão da Diocese do Algarve com o papa.

Os painéis da antiga “sala de espera” apresentam ao centro um escudete com as chaves papais, encimadas por tiara (insígnia papal) sustentada por dois anjos, tendo de cada lado uma cruz papal (tríplice). Nos extremos, está representada a mitra com o báculo, a tocha acesa e um feixe atado com um cíngulo. Cada painel tem um medalhão central apresentando diversas composições.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Na segunda sala encontra-se um silhar de azulejos policromos, sem recortes, em branco, azul, amarelo, verde e sanguínea. Exibe ornatos barrocos, entre os quais se destacam as folhas de acanto e os enrolamentos. Os motivos repetem-se em redor da sala, adaptando-se a composição à dimensão da parede.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O visitante poderá ainda admirar um conjunto de pinturas, por ordem cronológica, de alguns dos bispos cuja ação foi mais significativa, desde a transferência da sede do bispado para Faro. As telas expostas dos séculos XVIII, XIX e XX, grande parte das quais de autor desconhecido e outras de pintores como Joaquim José Rasquinho, J. P. Gomes ou Samora Barros, são de D. José de Meneses
(1680-1685), D. Simão da Gama (1685-1703), D. José Pereira Lacerda (1715-1738), D. Frei Lourenço de Santa Maria (1752-1783), D. Francisco Gomes do Avelar (1789-1816), D. Carlos Cristóvão Genuez Pereira (1856-1863), D. Inácio do Nascimento Moraes Cardoso (1864-1871), D. Marcelino Franco (1920-1955) e D. Francisco Rendeiro (1955-1965).

Na “Antiga Sala do Trono”, o visitante poderá observar os lambris de azulejos do período Rococó, com paleta cromática semelhante à sala anterior, representando ao centro o brasão do bispo D. Frei Lourenço de Santa Maria. Também nesta sala, de autoria atribuída ao mestre lisboeta Domingos de Almeida, autor do revestimento da abóbada da igreja da Ordem Terceira de São Francisco, o motivo repete-se, ajustando-se a composição à área das paredes.

Expõem-se, ainda, pinturas da coleção de arte sacra do Paço Episcopal: São Pedro (1792), São Paulo (1792), Sagrada Família com João Baptista Menino (1805), São Filipe de Nery (finais do século XVIII), Figura de Doutor da Igreja (finais do século XVIII), A Virgem, o Menino e São João Baptista (finais do século XVIII), Anunciação (inícios do século XIX) e Cristo Coroado. Os trabalhos são atribuídos a autores desconhecidos e a outros como Marcelo Leopardi, permanecendo alguns interrogados se terão saído do pincel de pintores como Liborio Guerini ou Vieira Portuense.

Estarão ainda patentes algumas peças de imaginária e paramentaria da coleção do Paço Episcopal.

As visitas terão entrada paga, mas o valor do ingresso ainda estará a ser definido.

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